segunda-feira, agosto 31, 2009

SL Benfica 8-1 Vitória de Setúbal: algures no balneário do Benfica

Eu estraçalho
Tu estraçalhas
Ele estraçalha
Nós estraçalhamos
Eles... foram estraçalhados

P.S.: E não se esqueçam que o golo do Setúbal foi por pena...

A pouca vergonha continua

«O PSD acusou hoje o Governo de ter utilizado dinheiro público da empresa RAVE para fazer propaganda eleitoral socialista a favor do TGV e anunciou que apresentou queixa desta situação à Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Em causa está um folheto de 12 páginas da Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE) que o PSD disse ter sido "publicado no sábado com o Jornal de Notícias e no domingo com o Correio da Manhã" e que exige que o Governo diga quanto custou.

Em conferência de imprensa, na sede nacional social-democrata, em Lisboa, o secretário-geral do PSD, Luís Marques Guedes, defendeu que a publicação do folheto constituiu uma "clara violação do dever de isenção e neutralidade das entidades públicas durante o período eleitoral".
»
Esta notícia pode ser lida aqui, e prova mais uma vez que para o PS socrático o Estado e o Partido Socialista não se confudem, sendo apenas um só.
Quem paga toda esta pouca vergonha continua a ser o mesmo: o povo.
Deviam estes dirigentes políticos ter vergonha cara por esta falta de ética republicana, mas isso é coisa que eles não conhecem há muito tempo.
Que os portugueses saibam dar a merecida resposta a quem só governa para si e não para todos.

O programa do PSD

O programa do PSD revelou-se. Mas, como diria Winston Churchill falando sobre a Rússia, "é uma charada embrulhada num mistério dentro de um enigma". Os princípios genéricos que pululam pelo documento deixam espaço para muitas leituras e abrem caminho a muitas entrelinhas. Não há aqui nada verdadeiramente novo. Há, com ar sereno, a tentativa de acarinhar os excluídos da gestão Sócrates. Tem ideias positivas e sensatas, mas nunca ali se encontra uma ideia de ruptura total ou uma imaginação que faça sonhar os portugueses. O seu liberalismo é envergonhado, porque o PSD também nunca deixou de ser um partido que se alimenta do Estado, mesmo que diga elegantemente o contrário. O próprio corte radical com os investimentos estatais previstos pelo Governo Sócrates é aqui minorado, abrindo-se portas para o aeroporto e para o TGV. É sobretudo um programa onde a gestão corrente está sempre muitos degraus acima de uma visão estratégica para o País, para a sua economia e para a sua sociedade. Há muitas medidas pontuais interessantes, mas falta-lhe o enquadramento e o sonho que seria necessário propalar. A posição de Manuela Ferreira Leite é mais fácil do que a de José Sócrates: está na oposição, enquanto este está na sua trincheira de defesa das políticas (boas e más) que marcaram os últimos quatro anos. Este documento do PSD mostra, ao querer ser um mínimo denominador comum, que a escolha do eleitorado não se vai fazer a partir de dois programas alternativos. Ou se escolhe Sócrates. Ou se escolhe Manuela."

Opinião de Fernando Sobral

Publicada em 31 de Agosto de 2009

in Jornal de Negócios

Subscrevo (a parte referente à união de facto)

"O problema é seguramente meu, sobretudo quando tantos amigos se entusiasmam com o tema. Mas continuo sem ver qualquer utilidade na lei da união de facto. E, a bem dizer, não a vejo na que Cavaco vetou, e já pouco via na já existente.

Para mim, o casamento civil - pelo qual tanta gente lutou, de forma a que o casamento religioso não fosse a única forma legal de ter família - é um contrato entre duas pessoas. A lei da união de facto vem estabelecer, basicamente, o seguinte: quem não quer assinar o contrato tem os mesmos direitos e deveres daqueles que o assinaram. Isto é o que parece: uma aberração.

Dir-me-ão que todos os países têm leis assim. E eu responderei que todos os países enveredaram por uma aberração que é filha da década de 60, quando se pretendeu destruir todas as instituições. E a principal instituição - e também aquela que mais limita um indivíduo - é, sem dúvida, a família, o casamento. Porém, há uma possibilidade para quem não quer submeter-se a essa limitação: não se casar. E a pergunta que se segue é: se não quer casar, porque raio o Estado o vai, através de uma lei, considerar casado?

Adivinho, porque já o ouvi, o coro de gente que me chamará básico e retrógrado. E admito que o problema deverá ser meu. Mas não entendo isto.

Não desconheço o problema dos direitos, das sucessões, dos arrendamentos, das heranças e, sobretudo, dos filhos. Mas tenho uma resposta: casem-se! É barato, fácil (basta assinar um papel) e podem sempre divorciar-se na hora caso se arrependam. Argumentar-me-ão: e os que não se podem casar, os homossexuais? Eis, finalmente, uma objecção séria. A lei proíbe que os homossexuais se casem... Mas esse é outro problema. Se estamos a discutir a forma de dar direitos aos homossexuais, que o digamos claramente. De outro modo, estamos a enganar as pessoas.

Por mim, acho que o Estado pode ter uma boa lei de contrato de coabitação que confira direitos iguais a quem vive na mesma casa, independentemente do regime, da razão por que o faz e da orientação sexual de cada um. No limite, pode equiparar o casamento a essa lei, porque a ideia de o Estado controlar o estado civil e a sexualidade de cada indivíduo é obsoleta.

Acho intolerável que se limitem direitos a homossexuais, ou a outros grupos quaisquer, ainda que muito minoritários. Mas acho inaceitável que haja leis disfarçadas e apenas destinadas a servir caprichos ou pequenas comunidades. Chamemos as coisas pelos nomes - é um bom princípio de transparência - e deixemo-nos de floreados
."

Crónica de Henrique Monteiro no Expresso

domingo, agosto 30, 2009

Carolina Patrocínio, a grainha que o PS não está a saber tirar

Aquela que deveria ser um trunfo para aproximar José Sócrates do eleitorado mais jovem, tornou-se um verdadeiro empecilho. É certo que a moça, tal como o namorado, jogador de râguebi, parece ter mais peso que Q.I., mas o que ninguém esperava era que uma inocente entrevista a um canal público, rodeado de fotos da jovem semi-nua, pudesse levantar tanta polémica.
Ela, que até foi sincera, confessou que prefere fazer batota a ter que perder e, não se dando por contente, debitou tudo aquilo que todos nós já sabemos sobre a fruta descascada, e as grainhas das uvas. O que me preocupa, ao contrário de muitos que por aí andam, é mesmo o facto de alguém que representa o PS junto da juventude assumir que gosta de fazer batota, o que politicamente é considerado um verdadeiro tiro nos pés.
Mais do que Sócrates, já muito experiente na forma de lidar com os jornalistas, Carolina Patrocínio precisa de alguém que a oriente sobre o que deve ou não dizer, sobretudo quando representa um partido político. Subitamente, uma pergunta inocente, como foi a do apresentador da RTP, pode dar início ao terror que a jovem inexperiente deve estar a passar.
Que lhe arranjem a fruta, não me preocupa. Segundo consta, a senhora em causa é paga e até faz isso com muito prazer. Quantos não são aqueles que apontam o dedo a Carolina Patrocínio e quando chegam às suas casas sentam-se no sofá e exigem que as mulheres ou as mães lhes arranjem uma sande com manteiga e fiambre ou lhes façam o jantar? E quanto é que lhes pagam por isso?
O que me preocupa é que os problemas dos jovens portugueses não se resumam todos a descascar a fruta ou a tirar grainhas às uvas. Mas o que é ainda mais preocupante é a inaptidão que o PS revela, mesmo com toda a máquina partidária à sua volta, para explicar aos portugueses que a jovem, por mais ingénua que possa ter sido, é uma pessoa que cumpre os seus deveres e paga a alguém para lhe fazer isso. De onde vem o dinheiro? Bom, se os programas que ela faz não fossem líderes de audiências e a empresa do pai não rendesse tanto dinheiro, provavelmente ela teria que aprender, tal como muitos portugueses, a descascar a fruta se a quisesse realmente continuar a comer.

CDS-PP apresenta o seu programa eleitoral

O CDS-PP apresentou o seu programa eleitoral, o qual se encontra disponível para consulta aqui. São 261 páginas de exposições, críticas e soluções para mudar o actual rumo do país, inspirado, segundo Assunção Cristas, no mote "liberdade, subsidiariedade e solidariedade".
Entretanto, Teresa Caeiro aderiu ao Twitter.

Bloco de Esquerda volta a atacar e tem um alvo bem definido: o PS

O constante namoro a Alegre e a tentativa de polémica com Joana Amaral Dias foram os primeiros dois avisos. Antes já tinham feito questão de fazer com que os professores e as novas gerações de eleitores venham a optar pelo modelo liberal e ilusório proposto pelo BE, onde todos podem consumir drogas, serem e fazerem o que quiserem e até colocar em prática os conhecimentos adquiridos nos cursos de subversão civil apoiados pelos bloquista.
Depois de se assegurar que o PCP tem os dias contados e que o fim dos "10%" dos comunistas são uma mera questão de tempo, o BE, apesar de avesso a assuntos bélicos, tem agora as armas apontadas ao PS e o objectivo já está definido: pescar no aquário do vizinho que está no poder e assumir-se como principal força política à esquerda.
O programa proselitista do BE já começou a manifestar-se e, como forma de chegar às massas socialistas insatisfeitas com a ideologia "centrista", os bloquistas criam agora iniciativas intituladas "Socialismo 2009". A doutrina bloquista está lá toda, mas agora disfarçada pelo novo rótulo que integra a estratégia do partido para chegar definitivamente às massas. Fiquem atentos e tenham cuidado: cair no erro de apoiar as ilusões de Francisco Louçã e companhia é condenar definitivamente o país ao isolamento e ao subdesenvolvimento.

Pina Moura: o cavalo de Tróia do PS

Joaquim Pina Moura anda numa de elogiar o programa eleitoral do PSD. Quem não o conheça, que o compre! Um dos maiores desastres da política portuguesa dos últimos 25 anos, recordado constantemente pela inaptidão para o desempenho de funções executivas e pelo tachismo, decide elogiar o grande rival do Partido Socialista.
Sabendo-se que um elogio de um indivíduo deste calibre leva muita gente a pensar se votar no PSD será a melhor opção, não tenho dúvidas em afirmar que o PS acaba de enviar um verdadeiro cavalo de Tróia aos social-democratas. Resta saber se os eleitores vão cair na esparrela...

Inglourious Basterds: filme franco-alemão prende o espectador durante 2h30

Estreou nas nossas salas de cinema Inglourious Basterds, de Quentin Tarantino. Este é mais um filme à imagem do realizador norte-americano dividido por capítulos, dotado de excelentes actores, bom argumento e alguma carnificina. De repente, um filme quase todo ele falado em francês e alemão torna-se interessante o que mais uma vez revela que não é o critério da língua aquele que mais releva na escolha de um filme, daí levantar-se a questão sobre o que é, verdadeiramente, o "cinema francês" ou o "cinema alemão".
Num filme onde, uma vez mais, nem todos os que lutam pelo bem podem ganhar e alguns vilões conseguem a sua vitória, a grande diferença deste para os outros filmes de Tarantino prende-se com o facto de estar a lidar com personagens reais que fazem parte da nossa história e cujo destino é conhecido de todos, tendo sido bastante diferente daquele que o filme apresentou, o que se torna, na minha opinião, o único pecado deste filme.
Além de tudo o que já se disse sobre Inglourious Basterds, um filme cuja qualidade anda perto da perfeição, resta acrescentar algumas palavras para o personagem interpretado por Christoph Waltz (Coronel Hans Landa), o qual está simplesmente espectacular e enche as delícias de todos aqueles que têm o privilégio de ver esta obra de arte de Quentin Tarantino.

P.S.: Um conselho: um dos segredos para apreciar obras cinematográficas passa por não ler as críticas antes de ver os próprios filmes. As críticas tendem a moldar a nossa opinião, criando preconceitos e reduzindo o nosso sentido crítico para aquilo que vamos ver.
Além do mais, vamos concluir que os críticos só dão boas notas a realizadores ou actores consagrados, ou então gostam de assumir a sua pseudo-intelectualidade e fazer críticas bastante generosas a filmes franceses, polacos, etc e quase tudo o que é produzido por Hollywood é comercial e de baixa qualidade.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Governo de bloco central? Solução desastrosa para Portugal!

Numa altura em que alguns vêem o Governo de bloco central como cenário cada vez mais provável, pergunto-me como seria um Executivo composto pelos dois grandes partidos portugueses:
1- Devemos começar por perguntar se um Governo PS-PSD será tão exequível quanto um PSD-PS. O cenário de vitória eleitoral do PSD ganha cada vez mais contornos e ainda ninguém fez as contas sobre o que poderá ser necessário ocorrer para que o PS aceite integrar um Governo no qual será, forçosamente, segunda linha. O mesmo deve ser colocado no sentido inverso, embora duvide que PSD se revelasse mais intransigente do que o PS para formar um governo de bloco central.
2- Se para eleger um Provedor de Justiça, PS e PSD deram início a um verdadeiro clima de pré-crise política, como será um eventual Governo de coligação em Portugal? Um verdadeiro saco de gatos onde dois partidos procuram protagonismo e inviabilizam a governação do país e a aprovação de importantes medidas em sectores que carecem de profundas reformas como a economia, a segurança, o ensino e a justiça.
Um Governo de coligação entre PS e PSD será em tudo semelhante aos actuais Governos de coligação de alguns Estados africanos.
3- O crescimento do Bloco de Esquerda será inevitável, que se assumirá como verdadeira alternativa aos dois grandes partidos, cujos modelos se esgotarão em si próprios e cujos membros já estarão a pensar na melhor forma de protegerem os seus interesses nas eleições seguintes, podendo mesmo desvincular-se de PS e PSD e integrar partidos já existentes ou até mesmo criar novos movimentos como forma de garantirem que se mantêm em cena na política portuguesa.
Posto isto, será que alguém pode considerar o cenário de Governo de bloco central viável para Portugal?

quinta-feira, agosto 27, 2009

Facto

Ninguém quer saber o que o PS diz neste momento. As pessoas deixaram de acreditar no que Sócrates diz, porque sabem que há uma forte probabilidade de ser mentira.
As pessoas neste momento de aflição, estão sim a virar-se para o PSD. É a única réstia de esperança.
Daí a atenção e expectativa com que esperaram pelo Compromisso de Verdade.
Eu tenho Esperança.

Programa eleitoral do PSD: Política de Inteligência

O PS apresentou o seu programa eleitoral e não foi notícia. O PCP apresentou as linhas mestras do seu programa e ninguém deu conta. O BE lançou a sua carta de intenções para as Legislativas'09 e ninguém quis saber. O CDS promove ideias vagas para as eleições e apenas as perguntas dos seus outdoors suscitaram alguma reflexão da população.
O PSD decidiu lançar o seu programa eleitoral um mês antes das eleições e, subitamente, foi o centro das atenções, até mesmo de quem está no poder que deveria aproveitar isso e o facto de já ter lançado o seu programa para ganhar vantagem. Não. O PS não foi inteligente a gerir a falta de informação do PSD e o primeiro estrago já foi feito hoje: a comunicação social em peso centrou as suas atenções na apresentação de um programa incógnito.
Ninguém quer discutir os programas de PS, PCP, BE e CDS. Todos querem discutir o programa do PSD que suscitou a curiosidade de Portugal inteiro. Poderão questionar a "Política de Verdade" de Manuela Ferreira Leite, mas nunca ousem questionar a "Política de Inteligência" da líder social-democrata.

quarta-feira, agosto 26, 2009

O que pode o país esperar da esquerda? As cartas não mentem!

Consultámos um conceituado tarólogo da nossa praça sobre o que pode o país esperar dos partidos à esquerda. Os resultados só surpreendem mesmo aqueles que andam pouco atentos! Eis então o que as cartas nos revelaram:

Carta XIX - O Sol: José Sócrates. O Luís XIV cá do sítio: "está para nascer um Primeiro-Ministro que faça melhor no défice do que eu". Vê em si próprio o esplendor, o brilho, a glória e o êxito.
A carta exibe uma personagem nua a caminhar ao sol. Se continuar com os seus projectos megalómanos, tanto este sol vai brilhar que em vez de dar fruto e abundância vai acabar por secar e queimar todas as fontes de vida e receita do país. A nudez da figura da carta não será mais que a ilustração de um povo que caminha de tanga por falta de condições dignas de vida.
O muro, que devia assegurar a protecção do povo, ou a defesa dos interesses nacionais, não será mais do que o símbolo do nosso isolamento no panorama internacional.


Carta XIII - A Morte: Partido Comunista Português. A Morte indica um período de grandes transformações, sendo necessário tomar medidas radicais para se inverter uma determinada tendência. Assim será o período que se avizinha para os comunistas: precisam reinventar-se urgentemente caso não pretendam condenar o futuro político do partido no médio prazo em detrimento de um Bloco de Esquerda que continuará a ganhar adeptos junto das classes mais jovens às quais o PC tem cada vez mais dificuldades em chegar.





Carta VI - Os Namorados: Manuel Alegre. A carta dos namorados significa a escolha que deve ser feita entre dois caminhos. Manuel Alegre tende a seguir pela promiscuidade política, manifestando uma tremenda incapacidade para escolher entre PS e BE: ao mesmo tempo que faz juras de amor eterno a um pisca o olho ao outro.
Quer ter os dois pássaros na mão e apenas olha para os interesses pessoais, tendo já em vista a próxima corrida presidencial e a atribuição de lugares estratégicos ao seu núcleo de "alegristas". Porém, se continuar a galantear as duas senhoras o tiro pode sair-lhe pela culatra e corre o risco de acabar sozinho com necessidade de se submeter a uma terceira opção que não estaria nos seus planos.



Carta XV - O Diabo: Bloco de Esquerda. O Diabo representa a energia criativa, sem a qual não existiria a vida material. O Bloco de Esquerda representa a esquerda no seu estado mais extremado e é graças à sua actuação que a direita tem oportunidade de projectar a sua imagem e os seus interesses, separando-os claramente das concepções de esquerda numa altura em que o eleitorado tem dificuldades em identificar as linhas-mestras de cada partido político.
Quem convive com esta carta (o Diabo) tem que aprender a lidar com ela de forma construtiva, caso contrário ela tende a sobressair e a destacar-se sobre as demais, recorrendo a tácticas extremistas como a demagogia e o populismo, o que poderá produzir o efeito contrário ao esperado. É preciso saber lidar com o Bloco de Esquerda e atenuar a onda de euforia de todos aqueles que se submetem facilmente à lavagem cerebral feita por Francisco Louçã e seus pares.

Carta VIII - A Justiça: António José Seguro. A Justiça personifica a equidade, a imparcialidade, a ordem, a severidade e o equilíbrio. Quando todos os deputados optam pela solução mais fácil, a da "sovietização" das bancadas parlamentares a cada intervenção dos respectivos líderes, António José Seguro assumiu uma posição diferente dos vários rebanhos e manifestou a sua imparcialidade e integridade criticando uma decisão do PS.
Provavelmente será dos poucos que continuará a remar contra a maré, embora deva ter cuidado com as críticas que o podem condenar ao isolamento no partido e consequente desaparecimento da política.
Se tiver sabedoria suficiente poderá tornar-se numa das principais figuras do Partido Socialista e dar início a uma nova era num partido cada vez mais caracterizado como sendo liderado com base em regimes autoritários.

Carta X - A Roda da Fortuna: Investimento Público. Não há dinheiro para aumentar salários e pensões, mas há dinheiro para investimentos megalómanos como o TGV, uma nova ponte sobre o Tejo, um novo aeroporto e muitos outros projectos que vão condenar o país à bancarrota e abrir caminho a uma neocolonização feita pela União Europeia e outros Estados com apetência para aproveitar as oportunidades criadas por quem não teve mãos a medir na hora de gastar.






Carta 0 - O Louco: Francisco Louçã. Esta carta caracteriza a desorientação, a confusão e a falta de noção da realidade. A saída de Portugal da NATO, a expulsão dos EUA da Base das Lajes e a defesa da extinção de todos os blocos militares mostra a falta de consciência do Bloco de Esquerda para questões de política externa e para os perigos que podem advir de tais decisões.
Em questões de segurança opta por um reforço dos direitos garantísticos dos arguidos/condenados do que pelo aumento dos instrumentos ao dispor das Forças de Segurança bem como a definição de prazos fixos para processos judiciais complexos.
Cada vez mais conhecido como o "partido dos professores", Louçã não pretende deixar na mão os direitos dos seus fiéis seguidores e propõe um "aligeiramento" dos horários escolares de professores e alunos.

Carta XVII - A Estrela: Rita Rato. A candidata a deputada da CDU por Lisboa deverá será eleita. A confirmar-se, a ex-dirigente da JCP poderá dar cartas no Parlamento e simbolizar o início de um novo rumo dos comunistas na actual conjuntura política nacional. Resta saber como lidará com as teses comunistas tradicionalistas e com a "velha guarda".








Carta XVIII - A Lua: Duplas candidaturas e Lei da Paridade. A Lua aspira tudo para si e representa os relacionamentos duvidosos e indefinidos. Políticos como Luís Fazenda, Ana Gomes, Elisa Ferreira e Ilda Figueiredo não se contentam com um lugar, têm a necessidade de se estender a várias frentes. Quem consegue confiar em políticos que se desdobram por múltiplas candidaturas?
A Lei da Paridade é uma boa oportunidade de projectar o feminismo e atribuir lugares de responsabilidade a pessoas cuja competência pode ser bastante questionável mas que têm acesso aos referidos lugares porque uma lei a isso obriga.

terça-feira, agosto 25, 2009

O vazio do Hmmm...

Ferreira Fernandes analisa a actual liderança do PSD, indo ao seu âmago de forma brilhante.

Infra, as palavras que este singelo blogger gostaria de ter escrito:

"A campanha não vai ser feita com indicador acusando. Mas, sim, com a boca torcida, insinuando: "Hmmm..."

Tenho a declarar que eu sei tudo. Conheço o mais bem escondido mistério de Verão: o programa eleitoral do PSD. Antes que me processem por escutas ilegais, adianto que o soube assistindo a uma entrevista televisiva de Manuel Ferreira Leite (Grande Entrevista, RTP1, na quinta-feira passada).

A frase-chave de MLF, indiciando o espírito da coisa, foi: "Eu não quero saber se há escutas ou não, eu não quero saber se há retaliações ou não, o que é grave é que as pessoas acham que há." Dito de outra maneira: não venham cá com a mania dos factos que o importante é que se ache alguma coisa sobre o assunto.

Raramente vi um político português dizer o sentimento de pertença ao seu povo de forma tão inequívoca. Com uma frasezinha apenas, MLF mostrou ser tão portuguesa quanto aquele empresário que ripostou às primeiras calculadoras electrónicas japoneses pondo no mercado um aparelho que não dava números mas debitava belíssimas impressões. "Eu não quero saber se há escutas ou não, [o importante] é que as pessoas acham que há..."

E o interessante é que a gloriosa frase, além de atestar a marca genética lusa da autora, define uma linha, aponta um rumo, escreve, enfim, um programa eleitoral. Cujo é, sem mais delongas: o PSD vai para a suspeita, depressa e em força. Suspeita é a condensação da frase-chave - é o seu sumo. Daí que eu tivesse deslindado o tal mistério do Verão (ajudado, também, por naquele destapar durante a entrevista, dizendo o programa tão curto que talvez coubesse numa folha A-4). Cabe, cabe. O programa do PSD é isto, numa folha branca, escrito com marcador grosso: "Hmmm..."

"Hmmm...", como diz a mulher morena que vê um cabelo louro no ombro do casaco do marido careca. "Hmmm...", como atitude constante e militante para os próximos dois meses. Por uma vez não teremos uma campanha eleitoral com os indicadores duros, acusando. Vai ser mais com boca torcida, insinuando: "Hmmm..."

Aguiar-Branco, na festa do Pontal do PSD, já tinha dado o mote: "Suspeita-se", disse-o cinco vezes num parágrafo. Pacheco Pereira sintetizou: "Só faltava que fosse proibido falar das suspeitas sobre o Governo." E MLF filosofou com a frase que já referi. Tudo numa semana e como antevisão do programa eleitoral que vai ser: "Hmmm.." E, na Grande Entrevista, MLF avisou que vai ser um programa para cumprir. Suspeito, até, que será cumprido todinho durante a campanha: suspeitas, suspeitas, suspeitas.

MLF devia até suspeitar de Fernando Seara. Também esta semana, durante um fogo em Belas, uma repórter televisiva perguntou: "Pode dizer-se que há suspeitas de fogo posto?" Ao que o presidente PSD da Câmara de Sintra respondeu: "Prefiro dizer que é intrigante." Suspeito que é mais um autarca que não aceita a linha do partido.

In dn.pt

Paulo Bento e o Titanic

Não consigo perceber um treinador que compara a sua equipa a um navio que foi ao fundo e que os tenta inspirar com base nos poucos botes que conseguiram minimizar os estragos. Basicamente a lição que se tira é que está tudo perdido e resta tentar salvar o pouco que se conseguir. Inspirador, de facto...

Veto de Cavaco Silva à lei da união de facto: melhor é impossível!

O PR vetou o diploma que alterava o regime da União de Facto. Com o novo diploma, as diferenças entre união de facto e casamento resumir-se-iam a alguns direitos sucessórios e seria mais vantajoso fazer-se a opção pelo casamento em regime de separação de bens, caso contrário, o regime de dívidas poderia ser mais oneroso na união de facto do que no próprio casamento, o que é inconcebível.
O diploma que foi vetado pelo Chefe de Estado é o reflexo dos devaneios intelectuais do Prof. Carlos Pamplona Corte-Real, catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa, cujo filho, Paulo Pamplona Corte-Real lidera o movimento ILGA. Se este diploma fosse aprovado, o mesmo abriria caminho ao casamento entre homossexuais pois se a união de facto destes é aceite, com as semelhanças deste regime com o casamento seria hipócrita e absurdo não reconhecer o casamento.
Como Cavaco Silva vetou, e bem, um diploma que colidiria com o instituto do casamento, criado exclusivamente para heterossexuais. O PR alertou para a necessidade de ter que haver uma maior discussão sobre o fim dado às uniões de facto e saber se se quer manter o sistema como está actualmente, havendo uma separação entre casamento e união de facto, ou se se quer terminar definitivamente com o casamento ou com a união de facto, pois não faz sentido manter dois regimes praticamente iguais.

domingo, agosto 23, 2009

Paulo Bento no Porto

Os prognósticos para o campeonato deste ano são os seguintes:
- Paulo Bento vai sair do Sporting;
- O Benfica vai ser campeão e como consequência Jesualdo Ferreira vai ser demitido;
- Em 2010/11, Paulo Bento vai treinar o Porto.

Portugal dos (mesmo muito) pequeninos

Turistas tolos que tiram fotografias a um local que se não tivesse tirado a vida a cinco pessoas
ainda hoje passaria despercebido (foto da autoria de Virgílio Rodrigues/Público)


1) Que país é este em que um local só se torna de culto e de interesse fotográfico depois de ter aparecido na televisão por tirar a vida a cinco pessoas? Por incrível que pareça, muitos são os que vão colocar a fotografia na falésia da praia Maria Luísa "pós-21 de Agosto" no seu perfil de Facebook, imediatamente a seguir às fotografias no Coliseu de Roma, na Torre Eiffel, ou nas pirâmides de Gizé.
2) A demolição do que resta da falésia vai ter direito a cerimónia de Estado. Membros do poder político nacional e local, entre outras personalidades, vão marcar presença no derrube da falésia, logo, às 20h. Só faltam a presença do Governador Civil para garantir que as formalidades estão cumpridas e o croquete e o cocktail para os convidados.
3) Os portugueses nem sempre aprendem quando o mal acontece, por vezes é preciso que o mal aconteça aos próprios para só assim tirarem lições úteis e mesmo assim ninguém garante nada. Então não é que após o trágico acontecimento da passada sexta-feira os banhistas voltaram a cercar a falésia? Sabiam todos do que tinha acontecido, mas atribuíram as culpas... ao sinal de perigo que do ponto de vista deles é de dimensões reduzidas e devia estar mais visível. Sabem o que pode acontecer por estarem ali e têm conhecimento do sinal. O que é que é preciso para os tirar dali? A estupidez realmente não tem limites e, se nova tragédia acontecer, a culpa deve ser certamente da Câmara Municipal de Albufeira, do Governo e da crise financeira internacional, como de costume.

sábado, agosto 22, 2009

Entrevista de Paulo Portas ao Expresso

Foto: Luiz Carvalho/Expresso

Paulo Portas concedeu uma entrevista ao Expresso a qual foi publicada na edição desta semana. Portas está de regresso ao mais alto nível e esta entrevista acompanha a excelente campanha do CDS, já iniciada através da exibição de outdoors bastante assertivos.
Focando temas-chave e abordando temas que são da preocupação geral e ninguém se atreve a discutir, o líder do CDS-PP continua a olear uma máquina que parece cada vez mais afinada para dar ao partido um resultado bastante positivo a 27 de Setembro.
É certo que na política nada é para sempre, mas no dia em que Paulo Portas abandonar a liderança de vez, o CDS poderá não resistir ao segundo divórcio... e a política portuguesa precisa de políticos profissionais como Portas.

TIME elege Jimi Hendrix o melhor guitarrista de todos os tempos

Jimi Hendrix, melhor guitarrista de sempre? De acordo com a TIME, sim. Hendrix era um guitarrista de outro planeta, mas mesmo assim não terá tido uma carreira demasiado curta para se poder dar ao luxo de ser condecorado com o título de "melhor de sempre"? Existem outros "fenómenos paranormais" no manejo da guitarra como Carlos Santana e Slash, entre tantos outros. Ainda assim, gostaria de ver todos estes senhores a tocarem uma guitarra portuguesa ou a tentarem tocar um fado com uma das suas "meninas". Aí, sim, poderei dissipar grande parte das minhas dúvidas.

O Bar Velho apresenta a mandatária do PS para a juventude

Carolina Patrocínio, jovem apresentadora de diversos programas da televisão portuguesa. Que não se caia no populismo fácil e brejeiro de acusar a jovem de "não fazer nada", de ter demasiado protagonismo, de ter um bom físico ou de ser tão feia que chega a meter medo. Não queremos ir por aí.
O que preferimos salientar é o carácter daquela que foi escolhida por José Sócrates para ser a sua mandatária para a juventude. Carolina Patrocínio concedeu uma entrevista à RTP na qual diz que prefere "fazer batota do que perder", algo que me parece ser um excelente exemplo para os jovens. Aliás, diga-se que a política e a sociedade portuguesa estão cheias de gente que "prefere fazer batota do que perder" e de outros que fazem batota por puro egoísmo e alguns até estão referenciados em processos crime por corrupção, tráfico de influências, fraude, entre outros.
Carolina Patrocínio gosta "de dar nas vistas" e é "orgulhosa", duas características que dotam muitos políticos da nossa praça e que os impede de dar o braço a torcer e reconhecer um erro que seja que tenham cometido (normalmente não são poucos).
Para finalizar a curta entrevista, e tendo José Sócrates afirmado que os problemas e anseios da juventude portuguesa deve ter uma presença na campanha do PS, eis que Carolina Patrocínio enuncia os seus: os caroços das frutas. Não come cerejas se a empregada não tirar os caroços, não toca em fruta que não esteja descascada e "uvas sem grainhas... é uma trabalheira". O PS fez uma boa escolha para mandatária até porque, eu e os jovens deste país identificamo-nos com Carolina Patrocínio: todos ganhamos bem, passamos dias inteiros na praia, no ginásio e no solário e os nossos únicos problemas não são ter um emprego, um salário, uma habitação e dinheiro para viver com um mínimo de dignidade. Não. Aos jovens portugueses o que realmente apoquenta são as sacanas das grainhas das uvas! Contra mim falo. Se há coisa que me faça perder a cabeça é começar o dia com um cacho de uvas com grainhas, uma banana e uma maçã com casca e uma cereja ou um pêssego com caroço!
Em suma, a mandatária do PS para a Juventude, Carolina Patrocínio, foi uma escolha tremendamente infeliz que tinha bastantes opções ao seu dispor, nomeadamente no desporto em que é possível dar o exemplo aos mais jovens que é preciso continuar a acreditar, insistir nos seus projectos, nunca desistir até que a vitória chegue, que a vida tem altos e baixos e que é preciso acreditar nas suas capacidades. Vejam que a jovem personifica a burrice e futilidade dos jovens de hoje em dia - notem no final do vídeo o seu bloqueio para responder a uma simples pergunta do jornalista depois de ter recorrido a mais uma frase nova que tinha aprendido naquele dia - mas nem por isso os representa bem, pois representar alguém não é espelhar o que de pior há, mas constituir um exemplo que possa salvaguardar os seus interesses abrindo-lhes os olhos para a realidade, em vez de lhes mostrar um mundo de fantasia onde os principais problemas são os caroços das frutas!

sexta-feira, agosto 21, 2009

Sobre a desgraça na praia Maria Luísa

Não vou com este post levar ninguém a apedrejamento público, porque não sou perito em derrocadas de falésias e porque nunca estive, nem estou, no local para poder fazer investigações para as quais também não me encontro qualificado. Se a culpa é do Ministério do Ambiente, do Presidente da Câmara, da Protecção Civil, da PSP ou de outros, não faço a mínima ideia, mas desde já sinto-me tentado a afastar a responsabilidade do Ministério, pois, à primeira vista, parece-me pouco sério exigir ao Ministério que garanta a segurança de uma falésia.
Aquilo que me parece verdadeiramente insensato é a presença de gente num local que, de longe, só por ser uma falésia já prefigura algum grau de perigo, por mais ínfimo que seja. Embora possam haver responsabilidades pelo facto da localização dispor de sinalização que poderá deixar muito a desejar, a culpa não morre solteira. Infelizmente, cinco pessoas responderam à escassa sensatez de apanhar banhos de sol perto de/passear numa falésia com a própria vida.
Ainda que não existisse perigo de derrocada, ninguém me convence que uma falésia e a respectiva área envolvente são 100% seguras e ideais para tomar banhos de sol e passear. Segundo parece, a informação na região era mais que suficiente para se saber que a zona não oferecia condições mínimas de segurança e muitos eram aqueles que sabiam que havia perigo mas decidiram arriscar porque, veja-se o típico português, "até agora nunca tinha acontecido nada".
Eu não preciso que a falésia, por mais segura que seja, surpreendetemente decida desabar um dia para tomar finalmente consciência da dimensão do perigo que corro se a frequentar da mesma forma que não preciso que apresentem um outdoor com neon em plena auto-estrada a indicar-me que corro o risco de ser atropelado se decidir atravessar. Existe um perigo iminente e não sou assim tão estúpido ao ponto de precisar que esteja uma autoridade na zona 24h por dia a tentar convencer-me que posso correr perigo por me encontrar na zona.
É certo que se poderão apurar algumas responsabilidades a nível institucional, mas a culpa não morre solteira certamente.

P.S.: Poderá não ter muito a ver, mas de certa forma até tem alguma coisa. Esta semana, a França anunciou que qualquer turista gaulês que decida, por sua conta e risco, viajar para zonas não recomendadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e se coloque numa situação de risco que obrigue à intervenção do Estado francês, será responsabilizado perante um tribunal.
Pensem nisto que até faz algum sentido.

Pior que a "silly season" só mesmo um "silly country"

Ficamos a saber que Agosto é o mês em que quem quiser pode atear fogo às matas e florestas porque poucos são os municípios que as mandam limpar e vigiar e pode-se ainda violar cidadãos à vontade que nada vai acontecer pois o Instituto de Medicina Legal... está de férias e manda as vítimas não tomarem banho até que um profissional apareça!
Que podemos esperar de um Estado que nem as necessidades mais básicas consegue assegurar?

quinta-feira, agosto 20, 2009

Manuela Ferreira Leite na RTP: Política de Coerência

Acabei de ver na RTP uma entrevista da Judite de Sousa a uma senhora que vestia um fato cor-de-rosa suave (contrariando os cinzentos sérios e formais que normalmente a caracterizam e lhe dão um ar mais pesado do que já tem), que se apresentou com um ar bastante maternal, fresco, leve, simpático, calmo (mesmo sendo dura), sério e, simultaneamente, sorridente(!!).
A estratégia definida por Manuela Ferreira Leite para a entrevista na RTP faz parte dos manuais de Marketing Político I e pode muito bem produzir efeitos junto de alguns eleitores.
Não sei se Manuela Ferreira Leite se regerá pela "Política de Verdade" durante a campanha eleitoral e até mesmo caso venha a ser Governo, mas até ao momento vai prevalecendo a "Política de Coerência": quem a ouviu com atenção viu que os critérios utilizados para o afastamento de Pedro Passos Coelho, para a inclusão de Maria José Nogueira Pinto nas listas para as Legislativas e para o apoio a Pedro Santana Lopes e Francisco Moita Flores fazem todo o sentido e não são de todo contraditórios. Quem a acusava de actos "estalinistas", certamente teve aqui uma prova do seu sentido de democracia.
Aceite-se ou não, estes são os critérios de Manuela Ferreira Leite e aplica-os por igual a todos. Outra grande prova da sua coerência está relacionada com o critério utilizado para o apoio a António Preto: concorde-se ou não, mais uma vez Manuela Ferreira Leite decidiu apoiar quem ainda não foi condenado por um tribunal, acrescentando que apoiaria Isaltino Morais e Valentim Loureiro se fosse líder do PSD nas anteriores Autárquicas.
Estou curioso por ver esta senhora, que se apresentou hoje de forma surpreendente na RTP, em debate com José Sócrates e com os restantes, particularmente com os "bota-abaixo" do costume: Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa. Aguardemos com alguma ansiedade pelos debates eleitorais.

Para todos aqueles com problemas de identidade política...

Vai votar pela primeira vez e ainda não sabe em quem? Está farto de votar e não sabe quem mais se aproxima das suas ideias?
Entre no Bússola Eleitoral, responda a algumas questões e descubra qual é o partido político que mais se enquadra nos seus ideais.

E-Quem?

E-Government. Uma das importantes apostas do Governo de Sócrates na luta contra a burocracia e os custos dos serviços públicos, apontando como objectivo tangível a melhoria da qualidade de vida da população portuguesa.

Para os governos info-excluídos e sem visão de futuro, eu explico. E-Government traduz-se no uso de tecnologias de informação com vista a aproximar as populações e as empresas dos serviços públicos e governamentais, eliminando a burocracia e permitindo usufruir dos referidos serviços à distância.

Quem esteve vezes sem conta em filas intermináveis para entregar o IRS, obter informações sobre a pensão de velhice que irá receber ou obter formulários de licenciamento percebe com facilidade a importância deste conceito.

O tecido empresarial, nomeadamente as PME’s, também percebe a importância económica da disponibilização destes serviços direccionados para as necessidades empresariais, incrementando a eficiência e diminuindo custos internos e custos indirectos.

O Governo actual percebeu todas estas valências e viu os seus esforços reconhecidos num relatório publicado recentemente pela Comissão Europeia (iniciativa i2010 2008) que aponta Portugal como um dos Estados membros com melhores serviços de eGovernment para empresas.

Assim, Portugal revela-se acima da média europeia em todos os quatro indicadores utilizados nesta área, num dos quais ocupando a primeira posição: percentagem de serviços públicos básicos para empresas disponíveis completamente on-line, onde o relatório revela que Portugal tem 100 por cento destes serviços disponíveis, quando a média comunitária é de 78 por cento.

Veja-se também que a percentagem de empresas que utilizam serviços públicos (68 por cento em Portugal) é bastante superior à média europeia (50 por cento).

Atente-se na evolução de Portugal no ranking Europeu:

- Em 2003, no auge da Governação do PSD-CDS/PP , o nível de disponibilidade de serviços de E-Government dirigidos a cidadãos era de 18% e de 63%dirigidos a empresas.

- Em 2008, após lançado um plano tecnológico pelo actual Governo, o nível de disponibilidade de serviços de E-Government dirigidos a cidadãos era de 75%(acima da média europeia) e de 100% (o melhor da Europa) dirigidos a empresas.

Todos estes índices melhoram o ambiente de negócios em Portugal, facilitam a criação de novas empresas portuguesas (Programa Empresa na Hora) e a instalação de empresas estrangeiras, reduzindo progressivamente os custos do Estado com procedimentos através da desmaterialização enquanto a eficiência e rapidez dos serviços prestados aumenta vertiginosamente.

As diferenças são óbvias.

Podemos optar entre um Portugal que se quer afirmar e acredita no futuro ou podemos escolher um Portugal miserabilista, sem visão e sem fé em si próprio.

O destino do país em forma de cruz.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Os outdoors do PS

Não seria melhor se todas as crianças estivessem a aprender português como deve ser, em vez daquela mistura de portunhol de iletrado com novela da Globo e crioulo anglo-saxónico?
Quais genéricos? Aqueles que, graças ao Governo PS, as farmácias não podem dar aos utentes se o médico não der expressamente autorização e que em várias ocasiões não acontece por causa dos acordos que mantêm com as farmacêuticas?
900.00 ilusões nas estatísticas das organizações internacionais: uma "história de vida" não equivale ao 9.º ano de escolaridade e muito menos ao 12.º! Fazer contas de mercearia durante uma vida não é a mesma coisa que fazer exercícios de probabilidades, trigonometria ou geometria, gerar uma criança não é a mesma coisa que dissecar um rato nas aulas de Biologia e misturar ingredientes para o jantar lá de casa não é a mesma coisa que misturar cloreto de cálcio com sulfato de sódio nas aulas de Química...
Querem ver que o salário mínimo não subia desde o tempo da "outra senhora" e o PS conseguiu a louvável façanha de o aumentar no decorrer da actual legislatura?

Pensamento de verão...

"Anda por aí muita gente a precisar de frequentar as festas do Berlusconi para ver se consegue relaxar um pouco..."
Em resposta aos "disparates de verão" relacionados com a Casa Civil do Presidente da República, a Presidência, José Sócrates, o PS, o espião socialista-socialite, e outros que dão conta de "barulhos estranhos" nos telefones e acreditam na boa cobertura de rede das operadoras...

José Sócrates: dividir para reinar com um toque de cobardia pelo meio

É contraproducente para um candidato dar protagonismo às ideias de um candidato com importância secundária comparativamente com o PM, excepto se for uma situação que permita ao candidato em questão destacar-se sobre os demais. Por este motivo, José Sócrates será o principal alvo a abater durante os debates televisivos, pois as políticas do Governo ao longo de quatro anos e o incumprimento de promessas serão duramente atacados.
Sócrates certamente achou mais piada ao cenário de um PM ter que ir à televisão submeter-se a verdadeiros linchamentos parlamentares quando em 2004 e 2005 clamava por oportunidades para tentar vergar Santana Lopes, líder do Governo de então. Existe medo e receio de que alguém se possa destacar às suas custas.
Mas existe outro motivo para que o Secretário-Geral do Partido Socialista recuse mais do que um debate com os restantes líderes dos partidos com assento parlamentar: José Sócrates pretende que a oposição se digladie na televisão, o que muito provavelmente ocorrerá quando Louçã e Jerónimo de Sousa criticarem Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas, e vice-versa, em vez de se concentrarem no que José Sócrates fez e pretende fazer. Trata-se de dividir para reinar, criando oportunidades de ouro para que a oposição se ataque entre si!

PS: Política de despesa - o habitual

Segundo o JN, "PS estima gastar 5,54 milhões de euros com a campanha eleitoral para as eleições legislativas. PSD tem orçamento de 3,34 milhões. "

Em tempo de crise, o PS dá o maior dos exemplos ao país, ao gastar em propaganda e fantochada eleitoral um balúrdio. Só pode ser o desespero a falar mais alto.

Os portugueses que passam dificuldades (para quem não saiba, temos a maior taxa de desemprego dos últimos 22 anos), não se reveêm neste tipo de acções.

O país não precisa do PS socrático.

terça-feira, agosto 18, 2009

Sondagem Bar Velho: Em que partido pretende votar nas próximas Legislativas?

As respostas na caixa ao lado. A sondagem termina dia 25 de Setembro de 2009, às 23h59. Os resultados serão anunciados imediatamente a seguir.

Irão: como é que a Comunidade Internacional vai descalçar esta bota?

"O Irão está disponível para reatar as negociações sobre o seu programa nuclear com o Ocidente, desde que baseadas no respeito mútuo e sem pré-condições, noticiou hoje a televisão estatal."

Fonte: Público

E agora, Comunidade Internacional? Como se descalça esta bota? Não é sério exigir mais a Teerão.

A Presidência da República, a comunicação social e as teorias da conspiração

De acordo com um conceituado diário nacional, um alegado membro da Casa Civil do Presidente da República terá lançado algumas perguntas para o ar, o que o Público tratou de interpretar como insinuação e preocupação, estendendo o receio a toda a Presidência da República.
Não querendo entrar em falsos alarmismos, creio que se justifica um esclarecimento por parte da Presidência, sobretudo quando em menos de 24 horas já se começaram a desenvolver teorias da conspiração que associam o Primeiro-Ministro, o PS, outros órgãos do Estado e até terceiros a uma série de perguntas feitas por um suposto membro da Casa Civil da Presidência da República.
Convém que seja feito um esclarecimento aos portugueses sobre este tipo de situações, que cada um assuma as suas responsabilidades e que se dissipem todas as dúvidas, caso contrário será bastante difícil acreditar que vivemos num Estado de Direito democrático.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Simples, claro, meridiano

A política é uma palco privilegiado pela exposição pública que lhe é inerente e pelo grau de intervenção na sociedade que permite. Como em todas as actividades, existem bons e maus exemplos.

O que não posso compreender é a mesquinhez reinante e a falta de ideias que assola parte da classe política que tem a possibilidade de governar o nosso país.

Este texto de José Pacheco Pereira no Jamais é disso um exemplo paradigmático.

Discutir soluções, ideias ou caminhos que possam ajudar a corrigir os problemas que da sua cátedra privilegiada costuma apontar não é a escolha de Pacheco Pereira.

Aquele que é aventado como um dos grandes intelectuais portugueses, dá uma pálida imagem de si próprio e faz-nos questionar qual o seu propósito enquanto candidato a deputado.

Pelo texto supra referido, ficamos a saber que o que move Pacheco Pereira não é um qualquer ideal de estado, uma qualquer visão para o país em que ele acredite e que defenda com argumentos racionais ou, até, somente com paixão. Até porque o diagnóstico para Portugal peca por ridiculamente cândido: O problema do país é tão somente Sócrates.

A certo ponto, Pacheco Pereira tem a desfaçatez de perguntar mesmo: “Não gostam de Manuela Ferreira Leite? E depois, gostam mais de Sócrates?“, como se os destinos da Nação dependessem de um corte de cabelo, de uma voz, de um sorriso ou de um traço de personalidade.

Percebemos, assim, que o que move Pacheco Pereira é esse nobre objectivo de afastar o impuro José Sócrates do poder, esse homem elevado à figura do Demo, gritando em nome da "verdade" tudo o que entender necessário - o insulto, a insinuação, a imoralidade, até a inverdade se tal se mostrar como o único caminho para salvar Portugal de Sócrates.

Dia 28 de Setembro de 2009, Sócrates deixa S. Bento. O Psi-20 sobe em flecha, os centros de emprego são inundados de telefonemas de ex-desempregados que arranjaram emprego nessa manhã. O crescimento é uma realidade e supera a média europeia, atirando a palavra convergência para os livros de história de Portugal. Estes livros são devorados pelos nossos estudantes que, espontaneamente, deitaram fora os seus Magalhães num acto de patriotismo e de apreço pela escola perfeita que dia 28 lhes trouxe.

Obrigado Pacheco Pereira. O difícil foi a batalha para retirar esse (nem sei que adjectivo lhe atribuir e nem o Eça – que ora voltei a reler – me consegue ajudar)…bem, o Sócrates. As coisas compuseram-se sozinhas, não foi?

E um sorriso cúmplice de Pacheco Pereira fecha o plano, os créditos finais irrompem pela sala adentro e a cortina desce.

Mas isto não é um filme. E a política não é um jogo em que nos possamos limitar a querer derrubar o adversário.

Ao encetar este ataque, temos de saber quais os próximos passos que iremos tomar e quais os resultados previsíveis que daí resultarão para o objectivo que traçámos. Derrubar o adversário não nos faz ganhar o jogo, não obstante a satisfação imediata que poderá transmitir. Derrubar o adversário ou estar na iminência de o fazer, apenas nos traz mais responsabilidade. Os holofotes quentes sobre nós.

Sem uma estratégia para o país somos um ridículo sonhador que pretende uns minutos de fama ou a obtenção de algo que não se atravessaria normalmente no nosso caminho.

É a isto que Pacheco Pereira se reduziu ao escrever a enormidade que colocou no Jamais.
É a isto que o PSD voluntariamente se reduz, ao mostrar claramente que seu grande desígnio actualmente é derrotar Sócrates. Depois, logo se pensará no que farão.

Learning on the Job não é, decerto, o que Portugal precisa.

Estamos numa altura em que as mais mínimas das razões são também máximas, se nos desviarem a atenção do que é central em Setembro: mudar por mudar, votar em quem nada tem para oferecer, jamais!

sábado, agosto 15, 2009

O Tarot das Legislativas

Há quase quatro anos, em plena época de campanha eleitoral na Faculdade de Direito de Lisboa, publiquei no blogue da minha lista as cartas dos candidatos da lista à qual pertencia. Na altura, o Bar Velho Online tinha chegado a equacionar a hipótese de contactar um conhecido tarólogo para lançar as cartas a figuras da Faculdade.
Agora, com as eleições Legislativas à porta e com outro orçamento disponível por parte do Bar Velho Online, os co-redactores DSF e DVS decidiram avançar com esse projecto e preparam-se para publicar os resultados em breve relativamente aos respectivos opositores.
Não percam, aqui no Bar Velho Online, o "Tarot da Esquerda" e o "Tarot da Direita"!

Mendes Bota e MFL: não se pode atacar a Abelha Rainha

"Não levo duas tampas da mesma rapariga no mesmo baile", assim declarou Mendes Bota, o macho latino algarvio com o orgulho ferido, a quem ninguém diz que não. De facto, até fica mal a um algarvio ouvir um não no pico do verão, em plena Coutada do Macho Ibérico, época em que poucas mulheres conseguem rejeitar convites para sair, tomar copos ou até mais qualquer coisa.
Porém a estratégia de Mendes Bota foi a errada. Já dizia o outro que, quando não temos muitos argumentos, nunca devemos "atacar" a líder de um grupo, antes a segunda ou a terceira melhor opção. Mendes Bota é o menino feio e marrão que não acrescenta nada de novo à popularidade da Abelha Rainha da escola social-democrata a não ser o tempo que ela poderia perder a dar-lhe atenção. Ele já havia tentado atacá-la uma vez, deu-se mal, e este ano acabou por sair com a "feia-gorda que conduz o carro para as outras", Aguiar Branco. Para o ano vamos ver o que é que lhe sai...

sexta-feira, agosto 14, 2009

João Lobo Antunes: a última vítima do PS socrático

O brilhante e reconhecido neurocirurgião João Lobo Antunes não foi reconduzido como membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Era apontado para ser o seu próximo presidente mas, inesperadamente, nem a Assembleia de República nem o Governo, reconduziram o ilustre médico no citado Conselho.

Esta situação causou enorme estefacção na opinião pública e também na Presidência da República.

Foram questionados os deputados Paulo Rangel e Maria de Belém Roseira relativamente a este assutno, tendo afirmado estes que "«O PSD não propôs Lobo Antunes [na quota da Assembleia da República] porque tinha a informação do PS de que ele seria proposto pelo Governo. Posso confirmar isso pessoalmente porque foi tratado por mim», assegurou Paulo Rangel.

A deputada socialista Maria de Belém Roseira confirmou à Lusa que essa expectativa existia, dizendo que chegou a falar no nome de Lobo Antunes quando decorreram as negociações entre os dois partidos. «Eu própria falei na possibilidade dele integrar a lista, mas como o sr. professor era designado pelo Governo, essa hipótese nem se pôs», confirmou a deputada socialista Maria de Belém Roseira."
Esta não recondução surge após a emissão de uma parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, em que foi fortemente criticado o diploma do PS acerca do "Testamento Vital", para muitos considerado como o embrião da eutanásia em Portugal, tendo sido um dos relatores e crítico deste diploma o Dr. João Lobo Antunes, que emitiu palavras nada agradáveis para com os autores deste diploma.
Toda esta situação leva a crer, para quem tenha um pouco de bom senso, razoabilidade e espírito crítico, que a não recondução deste brilhante médico terá a ver certamente com o facto de João Lobo Antunes ter criticado abertamente este diploma do "Testamento Vital" e ainda por ser uma pessoa chegada ao Presidente da República.
Assistimos a mais um caso de retaliação do PS socrático contra uma pessoa que teve a coragem de não colaborar com as suas ideias e de as exprimir publicamente, na linha do que aconteceu com o Professor Charrua, a Directora do Centro de Saúde de Águeda e a antiga Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, todos eles afastados dos cargos que exerciam por terem tido uma atitude de oposição ao actual Governo PS.
Este modo de agir do PS socrático merece a censura de todos os amantes da liberdade de expressão e da autonomia individual.
Portugal não merece um Governo com tiques estalinistas e defensor da política do pensamento único, tão proclamado na Coreia do Norte.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Começa amanhã mais um campeonato de futebol: tudo na mesma...

Inicia-se amanhã o Campeonato Nacional da I Divisão em Futebol. Se noutras épocas isto seria sinal de entusiasmo para mim, hoje é-me completamente indiferente quando começa, quando acaba, ou quem participa.
Se fossemos um país com gente a sério, o próximo campeonato não correria o risco de ser mais desequilibrado do que nunca. O próximo campeonato vai ser mais do mesmo, com duas equipas a lutarem pelo título, uma terceira a tentar fazer uma graçola com um grupo de miúdos, barrigas de vinho e um anão que joga mais que os outros todos juntos, e as restantes 13 equipas a lutarem para não descer. Diga-se desde já que não temos de antemão candidatos à Europa, ou à descida. As primeiras cinco jornadas é que ditam quem é que a partir daquele momento luta pelo quê.
Se fossemos um país com gente a sério e não fossemos latinos (nem imaginam o quanto sermos latinos prejudica este país), olharíamos para os bons exemplos vindos de fora, ou até mesmo para uma divisão abaixo. O nosso futebol é tão frustrante que a II divisão consegue ser mais emotiva que a I. Numa II Liga onde não existem "grandes", assiste-se todos os anos a sete ou oito clubes a lutarem pelos dois lugares de subida até bem perto do fim, sendo que alguns desses que lutam para subir também lutam para não descer. É, de facto, um campeonato bastante equilibrado.
Numa altura em que devemos repensar o nosso futebol - que perdeu por completo a sua identidade através da invasão de estrangeiros nos campeonatos profissionais e de brasileiros, congoleses e outras nacionalidades, sem qualquer ligação ao nosso país, na nossa selecção nacional - devemos olhar para os exemplos vindos de outras modalidades. Vamos começar pela NBA, um dos desportos mais entusiasmantes até mesmo para mim que não sou fã de basquetebol:
- o recurso às tecnologias torna o desporto mais justo e tende a equilibrar mais as equipas, fazendo com que dependam unicamente da sua prestação, em vez de saírem beneficiadas com o erro alheio. Diminui ainda a frustração de quem está habituado a comprometer temporadas inteiras, carreiras e benefícios financeiros à custa de erros (?) alheios;
- limitação do número de estrangeiros. A UEFA pretende impôr esta medida como forma de garantir a identidade nacional das equipas e a protecção das gerações futuras, mas a UE proíbe por entender que trata discrimina os estrangeiros. O Sporting é o melhor exemplo de como o que é nacional pode ser melhor que jogadores orindos da 3.ª divisão brasileira completamente desconhecidos;
- o mercado de transferências. Benfica e Porto gastam milhões, os outros empenham-se por tostões. Devíamos pensar em implementar algo que já defendi neste espaço: o sistema de draft que existe na NBA. Além de ser obrigatória a utilização de jogadores com idades inferiores a 21 anos, os mesmos deveriam ser colocados nos clubes à semelhança do que acontece na NBA: a equipa mais fraca tem prioridade na escolha de um/dois entre os 15/20 jogadores disponíveis, a segunda equipa mais fraca fará o mesmo com os restantes, e assim sucessivamente até que a equipa mais forte (o campeão) fique com o jogador considerado "menos desejado". Estes jogadores teriam a obrigação de fazer pelo menos 10 jogos no campeonato como forma de se valorizarem e adquirirem experiência;
- parar com as paragens absurdas e incompreensíveis nos campeonatos profissionais. A época passada foi dramática: 2 jornadas de campeonato e paragem para a realização da Taça da Liga (competição sem interesse e onde só jogam algumas equipas), ou eliminatórias da Taça de Portugal com equipas de divisões inferiores ou em que já só participam um número muito limitado de equipas, ou jogos da Selecção (calendário imposto pela UEFA e pela FIFA), ou então... acontecer tudo isto e ficarmos sem três semanas de campeonato. Foram ainda frequentes as ocasiões em que se disputava uma jornada semana sim, semana não. Isto não só diminui o ritmo competitivo das equipas, como reduz, quase que por completo, o interesse num campeonato que está mais tempo parado que a ser disputado;
- aumentar o número de equipas do campeonato. Confesso que fui um dos que eram a favor dos campeonatos com 16 clubes, mas cedo me apercebi do erro em que íamos cair. É certo que 13 clubes a lutarem para não descer é menos dramático que 15, mas também é certo que volta e meia os mais fracos tiram pontos aos grandes e quantas mais jornadas houver, maiores são as hipóteses de um "grande" cair;
- acabar com a vergonha que são os jogadores emprestados. O próximo campeonato vai ter o Porto e o Porto B (Olhanense). Anos houve em que jogou ainda o Porto C (Leixões), o Porto D (Académica), o Porto E (Vitória de Setúbal) e o Porto F (Trofense). É absurdo que um clube tenha passes de mais de 30 jogadores a actuar pelos restantes clubes da I Liga, sendo esta uma prática abusiva, pois por diversas vezes quem empresta nunca tem como interesse integrar o atleta nos seus quadros mas apenas garantir um satélite a interferir em clube alheio.
É por estas e por outras que, embora o meu Benfica este ano prometa fazer alguma coisa mais do que no ano passado, o campeonato que amanhã se inicia não me entusiasma... vem aí mais do mesmo: as queixas das arbitragens, as polémicas nos jogadores emprestados, a supremacia dos ricos, o fosso entre grandes e pequenos.

quarta-feira, agosto 12, 2009

O negócio de Ferreira Leite que hipotecou o País

No seu legado como Ministra das Finanças, podemos encontrar um presente envenenado com uma substância mais mortal que cianeto.

Por forma a mascarar as contas públicas, Manuela Ferreira Leite montou uma operação de cedência de créditos fiscais e da Segurança Social ao Citigroup no valor de 11,44 mil milhões de euros por um encaixe imediato de 1,76 milhões de euros.

Para quem se mostra tão rígido quanto aos investimentos que possam onerar as gerações futuras, este negócio está a revelar-se extramente ruinoso ao Estado: dos 11, 44 mil milhões de euros cedidos ao Citigroup em 2003, mais de 3,74 mil milhões foram substituídos por outros créditos cobráveis dos anos seguintes. Com esta substituição, o Estado cedeu ao Citigroup um montante total de créditos de cerca de 15,2 mil milhões de euros até à data.

É também de relevar que a responsabilidade pelas cobranças não ficou do lado do Citigroup mas sim do lado doEstado e da sua máquina fiscal, que, ainda assim, tem de compensar as perdas eventuais do Citigroup – assim se apresenta a radiografia de um bom negócio por Manuela Ferreira Leite.

Veja-se que com esta decisão a Dr.ª Manuela Ferreira Leite comprometeu o direito dos governos seguintes àquelas receitas. Para além do mais, o Fisco e a Segurança Social comprometeram-se a substituir os créditos incobráveis, ou seja, o Fisco, além de não poder registar como suas as receitas que cobra, ainda tem de ceder ao Citigroup parte das novas cobranças (não abrangidas pela titularização), para repor valores antigos.

Como se tal não bastasse, Ferreira Leite garantira na altura, que a taxa de substituição desses créditos não seria superior a um dígito. Em vez de uma taxa de substituição inferior a dez por cento, o negócio com o Citigroup acabou por traduzir-se na substituição de 33% do total de créditos cedidos a esta instituição.

Deve relembrar-se que a cedência de créditos fiscais e da Segurança Social ao Citigroup não foi a única medida excepcional do Governo PSD/CDS-PP, tendo ainda procedido à transferência do Fundo de Pensões dos CTT para a Caixa Geral de Aposentações e perdão fiscal que transitou do ano anterior.

Que conclusões se pode retirar deste negócio?

A – Que o valor recebido pelo Estado (1,7 mil milhões) já foi entregue e pago ao Citibank, pelo que o passe de mágica esgotou-se;

B – Que o Estado cedeu créditos, arrecadando menos de 10% do seu valor;

C- Que a Dr.ª MFL errou largamente nas previsões quanto à substituição de créditos incobráveis em mais de 20% (e note-se que estamos a falar de milhares de milhões de Euros);

D – Que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite diferiu responsabilidades financeiras e onerou todos os portugueses, sem que tal se traduza em nenhuma infraestrutura, equipamento ou vantagem competitiva que as gerações futuras possam usar;

E – Que os créditos cedidos por Manuela Ferreira Leite dariam para custear 2 x TGV - aquele que entende ser uma irresponsabilidade fazer por onerar as gerações futuras.

Se os actos pautam a imagem de um político e as palavras dão luz às suas convicções, onde fica a política de verdade em mais este imbróglio de Ferreira Leite?

O fim de um mito: o controlo do défice das contas públicas de 2008

Um dos pontos de honra do PS socrático em 2005 e nos anos que se seguiram, era o de manter as contas públicas equilibradas sem o recurso a receitas extrordinárias, metedologia utilizada pelos governos PSD-CDS entre 2002 e 2004.
Argumentavam os socialistas que o controlo das contas públicas tinha que ser realista, não se camuflando o verdadeiro valor do défice do Estado através de operações financeiras de cariz extradordinário.
José Sócrates, do alto da sua superioridade intelectual, o que o levou a afirmar recentemente, numa atitude de grande humildade (na linha dos que nos tinha habituado até Junho de 2009) que "ainda estava para nascer o Primeiro-Ministro que fizesse melhor no défice das contas públicas", garantiu aos portugueses que jamais utilizaria receitas extraordinárias para controlar as contas públicas, porque o país precisava de saber viver de acordo com as suas possibilidades, controlando a despesa e maximizando a receita.
E ao longo dos anos 2005-2008, os sucessivos valores do défice foram divulgados até à exaustão, glorificando a acção do Governo nesta matéria.
Pois bem, no melhor pano caí a nódoa.

Depois de terem denegrido a imagem dos Governos PSD-CDS nesta matéria, o PS socrático utilizou a mesma metologia daqueles Governos no controlo do défice do Estado.
Temos todos é uma pena que, numa atitude de humildade (pois ninguém é perfeito e todos podemos mudar de opinião), José Sócrates não tenha vindo reconhecer que afinal também utilizou receitas extraordinárias no controlo das contas públicas, na linha do que foi seguido por Manuela Ferreira Leite (sim, a actual líder do PSD). Ter-lhe-ia ficado bem.
Mas obviamente que o seu culto da imagem e propagandístico jamais permitir-lhe-ia efectuar tal acto de contrição. O homem não erra, o homem não falha, o homem sabe tudo, o homem é fantástico.
José Sócrates mentiu aos portugueses.

Mudam as cores, mudam as moscas...


... a "Postura (Política) de Verdade" é a mesma!

Embora as diferenças sejam poucas, o anúncio ao espectáculo do mágico Paulo Rangel, rodeado de estrelas e ao qual só falta uma cartola e uma varinha mágica, deu lugar a uma Cinha Jardim com mais peso e em tons monárquicos.

As listas do PSD: cada um tem aquilo que merece

Manuela Ferreira Leite tem razão quando diz que tem razões para estar sensibilizada com toda a atenção que tem sido dada pelos vários quadrantes da sociedade civil, da comunicação social e da política no respeitante à composição das listas do PSD para as Legislativas.
De facto, para um partido da oposição ao qual muitos parecem já ter traçado o destino de grande derrotado das próximas eleições, os social-democratas parecem mais o partido no poder a quem ninguém tem nada a apontar senão o A que está em 13.º pela Madeira ou o B que está em 38.º por Lisboa.

Pasmo-me com a oposição interna que MFL tem encontrado após a elaboração das listas. Tudo começou com a ausência de Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas das listas, dois elementos que nunca acrescentaram nada de novo (e de bom) ao partido e cujo mérito é bastante questionável.
Alguns notáveis do PS chegaram a acusar a líder do PSD de tomar "atitudes estalinistas", outros revoltaram-se face à ausência de elementos que contra ela concorreram. Como a "cena" não pegou, vamos pegar nos próximos.
Eis que surgem alguns notáveis social-democratas, com Marcelo Rebelo de Sousa à cabeça, que se revoltaram com a presença de António Preto e Helena Lopes da Costa, ambos arguidos, nas listas do PSD. O Professor da Faculdade de Direito de Lisboa que censura veementemente a líder do partido esquece-se que até há bem pouco tempo apoiou e teceu rasgados elogios a MFL. Saliente-se que o principal motivo dado por MRS para não avançar para a liderança do partido foi a entrada em cena daquela que o Professor viria a apoiar mais tarde. Recordo ainda que quando MFL avançou para a liderança do PSD, com o apoio de MRS, já António Preto e Helena Lopes da Costa tinham sido constituídos arguidos nos respectivos processos.

António Preto manteve o seu cargo de deputado mesmo após ter sido constituído arguido e nunca me lembro de MRS, nem qualquer outro militante social-democrata, ter colocado em causa a sua ideoneidade para o exercício do cargo. Não me lembro ainda de ouvir MRS, nem nenhum outro militante do PSD, terem questionado MFL, em tempo de eleições no partido, sobre qual seria o comportamento a ter para com "candidatos a candidatos que sejam arguidos".

Ninguém quis saber, todos a apoiaram, e agora que a líder e os órgãos decisores do partido têm toda a legitimidade para decidir é que se rebelam com a decisão da líder. Cada um tem aquilo que merece e quer os apoiantes de MFL quer os seus opositores merecem estas listas para as Legislativas, mais não seja para servirem de exemplo aos eleitores que insistem em votar sem prestar a mínima atenção ao programa dos candidatos e sem sequer perderem um segundo das suas vidas a questionarem se as ideias que estes propõem são as melhores para o país ou aquelas com que mais se identificam.
Agora fazem-se de arrependidos e opõe-se a uma realidade que até há poucos dias subscreviam, tudo porque a situação assumiu dimensões que certamente não estariam à espera e pretendem dar uma de pseudo-elitistas que vivem à margem de todos os comportamentos que são censurados pela comunicação social e, futuramente, pelo eleitorado, eternamente escravo das lavagens cerebrais feitas pelos media.