quinta-feira, julho 30, 2009

Fátima Felgueiras absolvida de todos os crimes no processo do futebol: alguma coisa funciona mal...

Fátima Felgueiras foi absolvida de todos os crimes (8) de que era acusada no âmbito do "processo do futebol". Não é a primeira vez que vemos figuras influentes serem acusadas de uma série de crimes e o resultado final ser a absolvição da maioria deles, quando não mesmo de todos. Não quero com esta afirmação insinuar que Fátima Felgueiras é culpada dos crimes de que era acusada, mas esta situação é, no mínimo, estranha.
Já aqui defendi que reformas profundas devem ser feitas na justiça ou então nos órgãos de investigação criminal. Não é normal, nem correcto, que uma série de inocentes tenham que enfrentar longos e dolorosos processos que os envolvem apenas porque alguém decide indiciá-los ou então que uma série de agentes criminosos saia impune da incompetência de maus juízes e/ou más acusações e/ou investigações. É completamente absurda e surreal a dedução de acusações com base no "vamos investigar e vamos ver no que é que vai dar" ou então penas suspensas quando os envolvidos são acusados de uma série de crimes cada um deles com penas superiores a 3 e 5 anos de prisão!
Alguém tem que assumir responsabilidades quer pelo envolvimento em processos crime, quer pelo estigma que vai perseguir um inocente, ou então por processos deficientemente conduzidos e/ou investigados. Devíamos começar pela ultracorporativista classe de juízes, seguindo-se mesmo os órgãos de investigação criminal. O que é certo é que este país não aguenta mais o julgamento de inocentes e a absolvição de culpados, mais não seja por expor as vulnerabilidades de um sistema dispendioso, moroso e, pior que tudo, com muitos rabos de palha.

Lista só de mulheres concorre a JF: subversão da lei da paridade

De acordo com os órgãos de comunicação, em Vila Franca da Beira uma lista composta só por mulheres vai concorrer à Junta de Freguesia local. Se o caso fosse o inverso - uma lista composta apenas por homens - certamente teríamos acusações de todos os sectores da sociedade que acusariam a lista de ser "machista", de não respeitar o valor e a qualidade das mulheres e a mesma seria inviabilizada. Como agora está em causa uma lista só de mulheres, o caso é visto como "elas é que mandam", ou "eles não são capazes de dar conta do recado".
Para mim, esta lista devia ser vetada por constituir, no mínimo, uma completa subversão à lei da paridade.

Ainda está para nascer...

Um Primeiro-Ministro que faça melhor do que Sócrates no capítulo da despesa.

Segundo Ricardo Reis, olhando para os quatro governos individualmente, o maior aumento na despesa veio durante os governos de Durão Barroso e Santana Lopes: 0,48% por ano. Segue--se-lhe o governo de Cavaco Silva com 0,32%, António Guterres com 0,31%, e por fim José Sócrates com um aumento de apenas 0,14%. Se excluirmos o enorme aumento na despesa no primeiro trimestre de 2009 associado à crise, o governo de José Sócrates e dos ministros Campos e Cunha e Teixeira dos Santos teria a rara distinção de ser o único governo que reduziu o tamanho do monstro, de 21,5% do PIB quando tomou posse para 21% no final de 2008.

Em silêncio, a cúpula do PSD pergunta: “Porquê nos abandonaste neste momento Senhor e deixaste o José Sócrates liderar o PS ao invés do PSD?”

Ainda está para nascer...

Uma ministra das Finanças que faça pior do que Manuela Ferreira Leite no capítulo da despesa.

Leia-se aqui.

quarta-feira, julho 29, 2009

Ainda sobre Joana Amaral Dias: como terminar com a polémica de uma vez por todas

Isto de se fazerem afirmações e atirá-las à parede a ver se pegam deve ter os seus dias contados. Mandam as regras do Direito em termos de prova que "quem alega um facto, tem que o provar". Acabem com esta polémica toda em torno do suposto convite do PS a Joana Amaral Dias e exijam a Francisco Louçã que prove aquilo que disse. Se este não quiser falar ou não conseguir provar a acusação que fez, então que ninguém tenha dúvidas que estamos perante um mentiroso que foi apanhado a fazer acusações infundadas com o objectivo de atingir uma terceira parte que neste caso é o Partido Socialista.
Os políticos têm que começar a honrar a sua classe e isso passa, também, por declarações verdadeiras que consigam provar e não por acusações gratuitas, insinuações e rumores. Até prova em contrário, Louçã perdeu boa parte da seriedade que tinha até ao momento e só lamento que actos semelhantes não sejam devidamente sancionados nas urnas.

Depois dos 150.000 postos de trabalho, as contas poupança de 200 euros...

A proposta do PS para a atribuição de uma conta poupança no valor de 200 euros a cada criança que nasça em Portugal é uma boa medida. Embora não se conheçam os termos completos desta iniciativa, devemos sempre desconfiar dos tais "almoços grátis" de José Sócrates, no entanto, para quem não está habituado a poupar, poder colocar algum dinheiro de parte para os seus filhos poderem levantar no futuro, aos quais se somam os juros e os 200 euros alegadamente oferecidos pelo Estado e que poderão ser levantados quando estes terminarem a escolaridade obrigatória constitui, sem dúvida, um bom incentivo à poupança e ao estudo.

O grande problema desta proposta é que com o fraco nível de exigência no ensino em Portugal os casos de levantamento da quantia poupada durante 18 anos por jovens com mérito parecem contar-se pelos dedos de uma mão, pois nos tempos que correm são raros os que, de facto, estudam e desafiam as suas potencialidades. Concluir o ensino obrigatório já não representa um desafio de grande envergadura para os nossos estudantes e difícil será não reunir os requisitos para levantar a poupança.

Outro grande problema está relacionado com o cumprimento desta medida que implicará, a priori, um investimento na ordem dos 150 milhões de euros. Se estes 150 milhões forem aplicados para o cumprimento de uma medida da mesma forma que foram criados os tão afamados 150 mil postos de trabalho, então daqui a quatro anos ainda estaremos à espera das primeiras contas poupança de 200 euros.

Por fim, não podemos esquecer-nos das letras pequenas que envolvem a atribuição dos tais "almoços grátis" de José Sócrates. Se o processo de atribuição do computador Magalhães e dos computadores com banda larga aos estudantes do ensino secundário envolveram tanta polémica relacionada com prazos de entrega, custos e cláusulas na fronteira do abusivo, não é difícil antever que estas contas poupança de 200 euros vão levar tudo a quem a decidir subscrever, a começar pelo(s) banco(s) envolvido(s) na criação destes depósitos...


P.S.: Apesar de estar mais que escaldado com as promessas de José Sócrates, não posso deixar de dar o benefício da dúvida ainda que esta medida tenha sido anunciada em época eleitoral. Se a atribuição de contas poupança no valor de 200 euros não envolver as tais cláusulas inscritas em letras milimétricas, então teremos, de facto, uma boa medida. E quem achar que 200 euros é pouco tem boa solução: não aceitar e ter a iniciativa de fazer o seu próprio investimento.

domingo, julho 26, 2009

Dissertações sobre a Gripe A

1- Intriga-me esta sociedade que desenvolve uma verdadeira psicose maníaco-depressiva em torno da Gripe A (uma gripe normal), lavando as mãos vezes sem conta e evitando o contacto com terceiros que espirrem e desinfectando tudo por onde passam, mas depois levam tabaco à boca e inspiram o fumo dos outros, ou mantêm uma alimentação degradante, sem medo de um tal de cancro, essa doença que mata milhões de pessoas por ano.

2- Diz-nos a imprensa que o número de infectados com a Gripe A subiu para 232. A H1N1 continua a ser tratada como a SIDA: quem a contrai já não a larga, continuando eternamente nas estatísticas que são anunciadas ao público e que contribuem para as campanhas alarmistas que por aí andam. Se considerarmos para a gripe vulgar os mesmos critérios que temos para a Gripe A, vamos entrar em paranóia absoluta, porque são milhares de milhões os infectados e vítimas mortais desde que existe uma das doenças mais comuns da história da humanidade.

Joana Amaral Dias: o único convite digno poderá surgir da Playboy

Louçã despacha Joana Amaral Dias e fá-la convidada do PS. Seguidamente, José Sócrates rejeita a bloquista dissidente e nega tê-la convidado para integrar as listas do partido. Posto isto, qual será o futuro de Joana Amaral Dias? Também não está nos planos do Bar Velho convidá-la para escrever no nosso espaço, pelo que o melhor convite que podem fazer à psicóloga do BE neste momento é uma proposta para posar para a Playboy portuguesa. Alguém duvida que isso serviria para relançar a sua imagem e influência na política nacional? Já passou pela cabeça de alguém que uma personalidade ligada à política, em pleno Portugal ainda medieval, mostre como veio ao mundo? O eleitorado gosta destas coisas, acreditem!

Sobre as alegadas "burlas dos ciganos" na compra de imóveis

Ontem voltou a ser notícia a alegada "burla dos ciganos" na compra de imóveis. O esquema já está mais que banalizado, mas as queixas e as notícias continuam como se se tratasse de uma novidade: um indivíduo apresenta-se junto de um construtor ou de uma agência imobiliária e anuncia que pretende adquirir determinado imóvel. Dá um sinal considerável - por norma superior a 10.000 euros podendo ir até 25.000 ou mais - e, posteriormente, decide voltar a visitar o imóvel, levando, para o efeito, toda a sua família cigana a qual trata de montar um autêntico arraial no prédio de modo a provocar a censura dos vizinhos e potenciais compradores quanto à celebração do contrato definitivo.
Assim, e de modo a evitar que os restantes apartamentos não sejam vendidos, o vendedor sente-se na obrigação de restituir o sinal em dobro dando cumprimento ao artigo 442.º, número 2 do Código Civil.
No meu entender, chamar "burla" a esta prática é uma palavra demasiado pesada. De acordo com o artigo 217.º, número 1 do Código Penal, a burla consiste num acto praticado por alguém "com a intenção de obter para si ou para terceiro enriquecimento ilegítimo, por meio de erro ou engano sobre factos que astuciosamente provocou, determinar outrem à prática de actos que lhe causem, ou causem a outra pessoa, prejuízo patrimonial".
A "burla dos ciganos" de burla não tem nada, e quem seguir esta via com uma queixa na polícia corre o sério risco de ver o processo arquivado, sendo este um problema de âmbito civil e não criminal. Assim, podemos, quando muito, estar perante uma situação de reserva mental (artigo 244.º do Código Civil) - dado que a vontade do alegado promitente-comprador é contrária à sua declaração inscrita no contrato promessa, produzindo os mesmos efeitos da simulação, tornando o contrato promessa nulo - ou de abuso de direito (334.º do Código Civil).
Se face à recusa do promitente vendedor em restituir o sinal em dobro, o mesmo for alvo de ameaças ou coacção, então aí já entramos na área criminal, mas nunca na burla. Resta a construtores e imobiliárias a capacidade de resistirem às pressões dos alegados promitentes-compradores e à tentação de anularem um negócio com medo de perda de futuros compradores dos restantes fogos. Se os ciganos envolvidos nestes actos quiserem apenas e tão-só a restituição do sinal em dobro, as vítimas poderão entrar no esquema dos promitentes-compradores e forçar a celebração do contrato definitivo, contrato esse que estes nunca vão pretender celebrar porque não é essa a sua vontade real, permitindo a construtores, imobiliárias e outros vendedores a conservação do sinal pago pelos ciganos e, possivelmente, a propositura de uma acção em tribunal com o intuito de serem ressarcidos pelos prejuízos decorrentes da não celebração do contrato definitivo. Comecem a agir desta forma e vão ver que a famosa "burla dos ciganos" vai ter os dias contados quando estes se aperceberem que estão a deitar dinheiro fora.

sábado, julho 25, 2009

Colaboração entre o Bar Velho e a Associação de Defesa dos Direitos Humanos

É com muito prazer que o Bar Velho Online anuncia a colaboração com a Associação de Defesa dos Direitos Humanos (ADDHU), Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) liderada por Laura Vasconcellos e que tem como objecto social "a concepção, execução e apoio a programas e projectos de informação, educação e desenvolvimento destinados a promover as liberdades e a protecção dos direitos do cidadão em todos os seus aspectos, no respeito pela Declaração Universal dos Direitos do Homem".
A ADDHU conta com acções no âmbito da luta pela libertação de Aung San Suu Kyi e no Quénia onde presta assistência aos mais desfavorecidos neste país da África oriental e que promoveu a recente reportagem da RTP sobre o papel da ONGD fundada e presidida por Laura Vasconcellos.
Neste sentido e por entendermos que será extremamente proveitosa a variedade de conteúdos no Bar Velho Online, chegámos a acordo com Laura Vasconcellos para que escreva artigos que serão posteriormente publicados neste espaço. Pretende-se com esta parceria promover e divulgar a actividade da ADDHU ao mesmo tempo que será possível dar a conhecer a terceiros aos nossos leitores a visão de quem se encontra em vários cenários de conflito, tensão e falta de meios de subsistência.

quarta-feira, julho 22, 2009

O regresso de um soldado...

Fotografia de Tim Shaffer (Reuters) via publico.pt

Quão reconfortante é saber que esta guerra é plenamente justificada e em nome de superiores interesses do homem?

Que os bravos transportam os valores da democracia, do respeito e a promessa de um mundo melhor em cada passo, em cada posição assumida, em cada tiro disparado, ainda que isso lhes custe a vida?

Joe Dante ilustrou magistralmente em imagens o estado de alma destes homens em Homecoming, adaptado da short story "Death and Suffrage" de Dale Bailey.

A ver e ler atentamente. O terrorismo que se esconde por detrás do terror.

terça-feira, julho 21, 2009

Sobre um tal português de nome Liedson...

Repito na íntegra o que foi escrito na altura a propósito de Pepe aqui, aqui, aqui e aqui, mas ainda mais reforçado:
1- A Selecção Portuguesa morreu há muito tempo e deu lugar à Selecção da CPLP ou Selecção do Resto do Mundo;
2- Não é porque alguém tem um cartão com a inscrição "nacionalidade: português" que o é verdadeiramente. Um brasileiro que vem para Portugal jogar à bola e os únicos elementos de conexão que tem com o país são as amizades no balneário e um cartão não pode ser considerado português.

Mestrados na Faculdade de Direito de Lisboa: missão impossível...

A Faculdade de Direito de Lisboa abriu as candidaturas aos Mestrados para o ano lectivo de 2009/10. Agora a candidatura já pode ser feita online. Até aqui tudo bem. O problema é que é muito complicado, senão mesmo impossível, que alguém se candidate a um Mestrado sem saber as cadeiras que vai ter! A Faculdade disponibiliza os nomes básicos das cadeiras como "Direito Civil III" ou "Direito Público IV". Mas, sabendo que cada uma destas cadeiras se centra num tema específico como é que os candidatos sabem que o tema para 2009/10 é aquele que vai de encontro à sua especialização?
Acrescem ainda outros dois problemas: quem são os professores que vão leccionar as cadeiras e quais são os horários em que as aulas serão ministradas? É que é prática recorrente alguns seminários decorrerem às 11h ou às 15h o que inviabiliza completamente a possibilidade de conjugar um Mestrado com uma actividade profissional como noutro sítio minimamente decente que se preze. Mas acontece que a Faculdade de Direito de Lisboa continua com o pensamento tacanho que continua a prejudicar a imagem daquela que já foi a melhor Faculdade de Direito do país: o aluno é que tem que se sacrificar e dedicar um ano da sua vida exclusivamente aos caprichos de professores muito bem pagos e que entendem que aulas em regime pós-laboral são um ultraje. Sendo assim, como é que me posso candidatar a um Mestrado para o qual não sei se terei disponibilidade horária?
A FDL que continue com esta linha de pensamento que é uma Faculdade de elite e os alunos é que precisam da Faculdade que a tendência é para que os portugueses procurem alternativas válidas nas Universidades Nova e Católica e a FDL acabará repleta de Mestres e Doutores brasileiros que vêm cá passar um ou dois anos de férias e um dia mais tarde lá fazem uns intercâmbios connosco.
Seguindo esta via, a FDL vai limitar-se a qualificar estrangeiros provenientes da América Latina, dos quais alguns desconhecem princípios e conceitos que se davam no primeiro e segundo ano de licenciatura. Não digo isto com qualquer sentimento de racismo ou xenofobia, mas na qualidade de alguém que já pôde testemunhar o nível de conhecimentos de alguns colegas que vêm para Portugal mestrar-se em Direito sob uma "perspectiva luso-brasileira", obtêm boas notas, mas que não têm qualidade nem formação suficientes para poder encarar o Mestrado com a mesma honestidade intelectual que os portugueses.
Posto isto faço a pergunta: como é possível que alguém encare com seriedade um Mestrado na FDL se as condições são as acima referidas?

Benfica adquire passe de jogador desconhecido por 7 milhões de euros

O Benfica adquiriu o passe de Javi Garcia por 7 milhões de euros! Um jogador desconhecido de 22 anos, que vem para o Benfica por valores astronómicos. O Benfica não vende jogadores e não tem dinheiro, mas dá-se ao luxo de comprar jogadores de classe duvidosa por valores absurdos. Não vou questionar o valor do espanhol mas um jogador que custa 7 milhões de euros a um clube português terá que se revelar um verdadeiro fora-de-série!
Pasmo-me por saber que 6,5 milhões de euros por uma certeza do futebol como é Reyes é "demasiado", mas 7 milhões por um jogador que pouco jogou em toda a sua vida e com menos três anos de idade que o seu conterrâneo já seja um valor justo e um bom investimento.
Ora, a "administração Vieira" continua a fazer das suas sobretudo se nos questionarmos relativamente aos 25% do passe de Reyes no qual o Benfica derreteu 2,5 milhões de euros. Pergunto: para que serviu este investimento se agora se dão ao luxo de o deitar fora? Afinal, basta ao Atlético de Madrid vender os seus 50% para que o jogador se transfira para outro clube e o Benfica continue com 2,5 milhões deitados fora.

P.S.: Graças a esta política de contratações benfiquistas, que já nos custou um Balboa (4 milhões), um Quique (pelo menos 2 milhões) e um Javi Garcia (7 milhões), o Real Madrid lá vai pagando o Cristiano Ronaldo.

Oliveira e Costa e a prisão domiciliária

Continuo a achar impressionante que a TVI já tivesse acesso à decisão do magistrado no sentido de pôr fim à prisão preventiva semanas antes desta ser tornada pública e o arguido devidamente notificado. Notável e ninguém sequer questiona o sucedido. Está tudo bem... viola-se o segredo de justiça, viola-se a Constituição... Quem quer saber? Ninguém.

domingo, julho 19, 2009

Conselho de amigo...

Uma grande amiga minha, Ana de Ornelas, inaugurou hoje o seu blogue dedicado inteiramente a poesia da sua autoria. Quem gostar, visite o espaço "Amores, Desamores e outros ais!" e, se quiser, adicione o seu contacto no Twitter.

FC Porto: verdadeira máquina de fazer dinheiro ou os seus negócios escondem algo por trás?

Lisandro: 24 milhões de euros + bónus
Lucho González: 18 milhões + bónus
Cissokho: 15 milhões + bónus
Ibson: 5 milhões
Paulo Machado: 3,5 milhões
Vieirinha: 300 mil euros

Total: 65,800 milhões de euros

Não há aqui nada de estranho na venda destes jogadores por estes valores? E mais estranho ainda o tal "negócio dos dentes de Cissokho"? Sou só eu que, enquanto benfiquista, invejo a capacidade vendedora do Porto que despacha jogadores por quantias impossíveis ou há aqui qualquer coisa que as pessoas não querem saber?

sexta-feira, julho 17, 2009

TGV: Jardim defende ligação entre Lisboa e Espanha mas não entre a capital e o Porto

O presidente do Governo Regional da Madeira defendeu hoje a ligação por TGV entre Lisboa e Espanha, afirmando que, à semelhança do que acontece com grande parte da população portuguesa, não lhe interessa o que o PSD pensa sobre o assunto.

"Não me interessa o que o meu partido pensa. Eu penso pela minha cabeça. Eu sou pelo TGV(!)" (Pena que nem todos os militantes do PSD o façam...).

terça-feira, julho 14, 2009

Candidata à Câmara de Valongo: promessas eleitorais são meras obrigações naturais

Maria José Azevedo, candidata independente à Câmara de Valongo, registou o seu programa eleitoral no Cartório Notarial de Valongo e, se não cumprir as promessas eleitorais, sujeita-se à vontade popular de a levar a tribunal.
A medida de Maria José Azevedo é absurda e não faz qualquer sentido na medida em que as promessas eleitorais, tal como já defendido neste espaço, são meras obrigações naturais correspondendo, de acordo com o artigo 402.º do Código Civil, a "um dever de ordem moral ou social" não sendo "judicialmente exigíveis". A candidata independente à Câmara de Valongo pode registar o que quiser no Notário, pode ir de joelhos a Fátima e pode até assinar um acordo com o seu próprio sangue que os munícipes estão impedidos pela lei de exigir em tribunal uma promessa eleitoral.
Porém, exceptuam-se alguns casos como por exemplo o não incumprimento de medidas que constem do manifesto eleitoral da candidata e que se consiga demonstrar que o seu incumprimento provocou danos ao Município, embora neste caso a propositura da acção deverá respeitar à responsabilidade extra-contratual, aplicando-se o Direito Administrativo.
Esta medida apresentada pela candidata já produziu os efeitos desejados que consistiam em dar visibilidade gratuita à sua candidatura, não servindo para rigorosamente mais nada.

O fundamentalismo feminista de Edite Estrela


Ainda recentemente foi comentado neste espaço questões como a lei da paridade e a página de Twitter de Edite Estrela que parece cada vez ter menos preocupações em assumir o seu fundamentalismo feminista na internet.
Hoje, passando novamente pelo Twitter da Eurodeputada socialista, deparo-me com o seu brilhante comentário a propósito da eleição do Presidente do Parlamento Europeu. Para Edite Estrela, segunda colocada na lista encabeçada por Vital Moreira, não existem critérios como mérito, capacidade ou competência. Já que nem sequer passa pela cabeça da Eurodeputada exercer o seu voto num dos candidatos que mais se aproxime da identidade portuguesa, até poderia aceitar a diferença entre "candidato de esquerda" e "candidato de direita". Porém, o critério escolhido por Edite Estrela, como se pode ver na imagem de cima é "acabei de exercer o meu direito de voto (...) há dois candidatos: mulher e home".
E pronto! Para a ex-Presidente da Câmara de Sintra tudo se resume a homens e mulheres, ou seja, à guerra dos sexos. Muito me surpreende que tenha aceitado concorrer às eleições europeias atrás de um homem e não tenha exigido que uma mulher encabeçasse a lista do PS. O que mais me perturba, no meio de tudo isto, é saber que os portugueses votam em partidos e nem se esforçam por conhecer os candidatos que integram as respectivas listas em que votam. Não passa pela cabeça de ninguém votar numa candidata que em vez de ter como motivação representar os interesses do seu país na União Europeia, pense apenas em fazer um lobby doentio em favor das mulheres.
Pergunta a quem votou PS nas eleições de 7 de Junho: é assim que se representa o país no Parlamento Europeu?

Programa Polis Costa da Caparica poderá dar caso de polícia

O Programa Polis Costa da Caparica deu uma nova vida a esta cidade do concelho de Almada. Foram investidos cerca de 200 milhões de euros na revitalização de uma área que se encontrava ao abandono e que atrai muitos turistas anualmente. O arranjo das praias, o calçadão, os bares, os armazéns, os estacionamentos e as novas estradas, todos eles melhoraram radicalmente a imagem da Costa da Caparica (até o Restaurante o Barbas já tem um espaço de luxo).
No entanto, não é preciso ser-se um génio para ver que apesar do forte investimento na zona ribeirinha o troço da nova estrada que liga a Av. General Humberto Delgado à rotunda da Av. 1.º de Maio tem postes de electricidade instalados em plena estrada em vez de se encontrarem no passeio, a menos que isto seja uma forma de "arte moderna" para a Costa da Caparica. Qualquer carro que siga em direcção à Av. 1.º de Maio tem vários obstáculos que uma equipa de arquitectos, engenheiros, advogados e economistas não deram conta.

Os postes de electricidade em plena estrada

segunda-feira, julho 13, 2009

António Costa, qual São Vicente, acompanhado por dois corvos: Sá Fernandes e Helena Roseta

O actual Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, parece disposto a tudo para renovar o seu mandato na capital. Depois de, a menos de três meses das eleições, ter pago com dinheiro camarário a divulgação de verdadeira propaganda eleitoralista na edição do passado domingo do Público, e após convencer um Sá Fernandes já cansado de dar uma de "difícil" por ver o tempo apertar e ninguém se mostrar disposto a renovar-lhe o poleiro, aliás, pelouro, na capital, eis que agora parece apontar os canhões a Helena Roseta.
Aquela que há dois anos foi negligenciada pelo PS e por Costa após personificar um género de Manuel Alegre no feminino, agora parece ser vista por António Costa como cheia de virtudes (leia-se apoiantes/votos) e de anos de serviço público capazes de fazer a diferença na sua candidatura.
Santana Lopes parece mesmo destinado a ganhar as próximas eleições se Costa não agir rapidamente, mas começo a duvidar de uma estratégia eleitoral de um verdadeiro São Vicente disposto a dar o ombro a independentes marginalizados pelos partidos que outrora os apoiaram (BE e PS). Iria mais longe e diria que se o candidato pelo PS à capital continuar com o discurso de inclusão de independentes no projecto socialista e afastar o verdadeiro conceito de coligação, não será preciso muito tempo até que Sá Fernandes e Helena Roseta se tornem nos dois corvos dispostos a fazer o funeral ao São Vicente socialista.

Mais um dia típico na Portugalândia...

"Um grupo de agentes da PSP foi esta manhã alvo de pedras e garrafas arremessadas por perto de 50 moradores da Quinta da Fonte, em Loures, quando perseguia um indivíduo que tinha acabado de fazer um assalto e que se refugiou no bairro."

Fonte: Público

Está tudo bem, dizem. Não há nada a mudar nas leis penais, excepto continuar a adaptá-las à realidade nacional que está cada vez melhor...

domingo, julho 12, 2009

Elisa Ferreira: o despotismo só a prejudica

"Eu quero, posso, faço e mando!", parece ser o mote de Elisa Ferreira na sua candidatura à Câmara do Porto. Mesmo tendo sido eleita eurodeputada pelo PS não quer saber do impacto que uma dupla candidatura possa ter no eleitorado portuense e decidiu avançar; fez a sua própria lista sem ouvir o PS-Porto; quando chamada à atenção para o facto de estar a concorrer como candidata do PS e ter a obrigação de delinear a estratégia e formar a lista em conjunto, não quis saber e insistiu nas suas; faz birra e amua porque não tem apoios quando, segundo consta, age de forma déspota como se fosse um género de Messias no feminino que realizará o milagre da multiplicação de votos no norte.
Do pouco que já falou enquanto candidata, meia-dúzia de chavões feministas, uma filosofia que parece estar a ganhar cada vez mais adeptos na política feminina portuguesa (sim, começa a ser obrigatório separar política de política no feminino porque as mulheres mais proeminentes insistem numa estratégia paradoxal e incoerente de cada vez que exigem igualdade entre os sexos mas reforçam a separação de géneros). Acrescem, por fim, mais uma mão cheia de chavões popularuchos como "Porto aos portuenses" e "Porto para todos" faltando-lhe capacidade para espremer este género de expressões para a mostrar que há conteúdo e trabalho de casa feito na sua candidatura.
Face a este cenário, a maior humilhação de sempre dos socialistas no Porto parece ser o cenário mais que provável desta candidatura que parece ser tudo menos séria, organizada e coerente. Só não vê quem não quer...

sábado, julho 11, 2009

"I want to be rich and I want lots of money...

... and I'll take my clothes off and it will be shameless", assim canta Lily Allen em "The Fear" e a ver pelo seu ensaio fotográfico para a revista i-D as palavras parecem ser sinceras. A última edição da i-D, que não tem nada a ver com investigação e desenvolvimento, exibe uma Lily Allen livre de preconceitos (a foto de cima é só para aguçar o apetite) numa péssima sessão fotográfica que se assemelha mais a uma série de fotografias amadoras tiradas por um ex-namorado do que propriamente por uma revista profissional habituada a fazer ensaios com celebridades.
A cantora deve ter recebido balúrdios por fotografias amadoras que denigrem a sua imagem, mas aquilo que para ela poderá ter sido um bom negócio para a revista pode ter sido um péssimo investimento se atendermos ao facto de que Lily Allen já mostrou o peito gratuitamente em público.

sexta-feira, julho 10, 2009

Sete grandes mentiras que os portugueses contam a si próprios para fugir à realidade

Ao longo dos últimos anos, os portugueses desenvolveram uma habilidade quase patológica de mentirem a si próprios. Nos dias que correm, onde quer que se vá, lá estará um português a atribuir responsabilidades a todos, e especialmente "ao sistema", menos a si próprio. É possível que tudo se trate de um mecanismo criado inconscientemente pela psique humana para conseguir lidar melhor com o fracasso e com a frustração em que algumas das escolhas pessoais resultaram. Não deixa, ainda assim, de ser menos aceitável e estranho por causa disso.
Estas são alguma das grandes mentiras que os portugueses contam a si próprios para melhor lidar com a situação no país:

1- O Governo tem que nos ajudar nos nossos problemas pessoais. Quantas não são as pessoas que regularmente não manifestam vontade de trabalhar, mas exigem ajudas do Governo? Quantas não são as pessoas que têm um ordenado baixo mas insistem em adquirir imóveis e carros de luxo, incomportáveis para o seu orçamento familiar e depois dizem que "o Estado devia intervir" ou "a culpa é do Governo que não aumenta os salários, nem faz nada para resolver esta situação"?
A verdade é: o Governo não é a Santa Casa da Misericórdia para ajudar financeiramente a população e mesmo que fosse não serviria para colmatar os erros bárbaros de gestão que são cometidos em vários lares portugueses. A função do Governo é criar políticas favoráveis ao país e gerir, o mais convenientemente possível e de acordo com as regras de bom senso, as receitas provenientes dos impostos.

2- A segunda grande mentira é que Portugal é um país rico, cuja riqueza está a ser saqueada pelo poder político. Lá porque temos os combustíveis mais caros da UE, pagamos dois impostos na aquisição de automóveis, pagamos um dos IVAs mais elevados da Europa, e temos bens altamente inflacionados até mesmo para mercados de países como França, EUA e Reino Unido, a verdade é que não temos um tostão furado e aos poucos vamos vendo o país a enforcar-se em dívidas. Levamos vida de ricos, mas não temos dinheiro para mandar cantar um cego.

3- A terceira mentira é que os portugueses são um povo de trabalho, decente e honesto, mas os líderes políticos são maus. Esta é das minhas preferidas. Para começar somos latinos, o que significa que somos manhosos, com tendência para a trapaça e pelo ainda juntamos um pouco da emotividade que nos caracteriza. Isso só por si faz-nos estar ali num limiar entre África, América Latina e a Europa. Por vezes tenho dúvidas se assim como a Madeira está mais para a Europa do que para África apenas porque alguém decidiu que a diferença entre Madeira e Cabo Verde estava na cor de pele dos seus nativos, se não estaremos mais próximos da Europa do que de África também pelo tom de pele.
Tirando isso, os portugueses têm os líderes que merecem, pois são o reflexo do país. Lembrem-se que eles não chegam ao poder sozinhos e alguns ainda conseguem repetir a proeza.

4- A quarta mentira é que personalidades estrangeiras ligadas à política, como Lula da Silva, José Eduardo dos Santos, José Luis Zapatero, entre outros, adoram Portugal e os portugueses. Vamos ser francos neste aspecto: estes indivíduos mantém relações próximas com Portugal para protegerem os seus interesses nacionais, daí nos chamarem "irmãos" ou "aliados". À primeira adversidade ou contratempo somos imediatamente vistos como "colonizadores" e "adversários" e imediatamente acusados de não querer contribuir para a estabilidade internacional.
Espanha, Brasil, Angola, EUA, e até mesmo os EM da UE, nenhum destes gosta tanto de Portugal como nós ao ponto de nos querer beneficiar. Se queremos que o nosso país avance sem depender dos caprichos de terceiros temos que ser nós a fazê-lo! Eles não gostam de nós pelo nosso belo sol e pela nossa simpatia, mas sim pelo que lhes podemos dar. Contrariá-los é como sentenciar as relações bilaterais existentes, ou porque é que acham que o Irão e o Zimbabué são vistos com desconfiança?

5- A quinta mentira diz respeito à crença popular que diz que devemos ter educação gratuita e serviço de saúde gratuito para garantir a sustentabilidade do país. Vamos ser honestos: não há almoços grátis e o dinheiro não cai do céu! Quando um país pobre quer dar uma de rico, qual adolescente que vê os outros meninos da escola usarem roupas de marca e ele decide acompanhá-los, é impossível garantir serviços públicos básicos gratuitos. Enquanto continuarmos com projectos mirabolantes e com o despesismo público a um ritmo elevado, bem podem sonhar com saúde e ensino gratuitos! E enquanto não mudarmos de rumo o melhor que podemos garantir, para ser benevolente, será a tendencial gratuitidade aos mais desfavorecidos.

6- Outra grande mentira é aquela que muitos portugueses contam a si e aos outros ao dizerem que é a pobreza que leva ao crime e à realização de actos impulsivos. Querem mesmo acreditar que é a pobreza e a miséria que está por trás dos assaltos às gasolineiras, às caixas multibanco, ourivesarias e outros estabelecimentos? Pobre não rouba por ganância, rouba algo que lhe garanta a sua subsistência.
Se a pobreza fosse a origem de todos os males, como é que se explica que, por exemplo, Cristiano Ronaldo seja uma pessoa boa que dá tudo aos que lhe são próximos e tenha passado 12 anos da sua vida a viver no meio da miséria?

7- Mentira número sete: Barack Obama vai tirar-nos da crise e vai salvar o mundo. Portugueses, ponham os olhos em países como a China e constatem que o que fez com que este país passasse de terra dependente do investimento externo para superpotência foi o sacrifício de toda uma geração trabalhadora e empreendedora que fez da China aquilo que é hoje. Se os portugueses deixarem de ser individualistas e começarem a pensar em dar o seu melhor para construir um país melhor então podemos sair da crise. Sem trabalho e unidade nacional bem podem ter fé em Barack Obama, José Sócrates e Manuela Ferreira Leite. A situação vai continuar igual e os culpados são sempre os suspeitos do costume.

quinta-feira, julho 09, 2009

Ministério da Saúde anuncia o seu plano de contingência para as escolas

Segundo consta, andam por aí Delegados de Saúde em reunião com directores de escolas para preparar os estabelecimentos de ensino e os professores para a Gripe A.
De acordo com os mesmos e segundo conseguimos apurar, os Delegados de Saúde "sugerem" que de hora a hora sejam limpas as maçanetas das portas e os teclados dos computadores têm de ser cobertos com filme da cozinha e mudados com a mesma periodicidade.
Acresce que recai ainda sobre a escola a elaboração de exercícios de carácter lúdico para entreter os alunos que venham a estar de quarentena. Interrogo-me sobre o papel das famílias, cada vez mais negligenciado e desresponsabilizado.
Não deixa de ser um plano de contingência que dá que pensar, este.

Isaltino Morais e o MP: sai uma pena suspensa para a mesa de Oeiras

"O procurador do Ministério Público pediu hoje a condenação de Isaltino Morais numa pena efectiva de prisão superior a cinco anos e a inibição de exercício de cargos públicos durante o mesmo período de tempo"

Fonte: I

Ponho 500 euros na mesa em como vai sair mais uma pena suspensa, um recurso e mais um discurso de vitimização do autarca, mais uma recandidatura e mais uma vitória eleitoral.

Lei da paridade: um género de "cunha" para as mulheres e um pouco de feminismo exacerbado

Andava há pouco pelo Twitter e deparei-me com uma das actualizações de Edite Estrela que diz "está provado que uma equilibrada representação feminina nas administrações é vantajosa para as empresas". Ora, o "está provado" da Eurodeputada leva-me a questionar se foi destacada alguma equipa de cientistas que tenha identificado uma variante hormono-intelectual de L-Casei Immunitass e Omega-3 nas mulheres capaz de fazer a diferença no mercado só pelo simples facto de serem mulheres, estando, assim, "provado cientificamente" o fenómeno.
Tirando a hipótese acima referida, acho de todo impossível que as mulheres só por serem a variante feminina do Ser Humano possam ser vantajosas para as empresas, excepto pela combinação que têm com a testosterona masculina. Eu dou um exemplo: hoje fui à Mercedes com o intuito de levar um carro para reparação. Como eu, assim estavam outros clientes. Eis que subitamente aparece uma vendedora da casa vestida e calçada como se estivesse a preparar-se para dançar no varão de um qualquer strip club. Todos, literalmente todos, acompanharam cada passo que ela deu no palco, aliás, no salão, e ficaram atónitos com o que estavam a ver. Por instantes cheguei mesmo a pensar se não estaria na hora de trocar de carro. Felizmente a razão venceu o... coração. Pelo ar dos outros, se não estariam a pensar mudar de carro pelo menos pareciam na disposição de saberem os preços e eventuais condições de financiamento.
Se o relatório científico que sustenta o "está provado" de Edite Estrela se fundamentar neste género de critérios, então, sim, a representação feminina nas administrações é vantajosa para as empresas porque têm argumentos fora do alcance dos homens. No entanto, creio que aquilo que todos desejamos é o fim da guerra dos sexos que nos leva a olhar para o placard de resultados e vemos "homens 60-40 mulheres" o que leva as mulheres a pensar "temos que empatar para depois golearmos os gajos".
Acresce ainda que estas mensagens em Twitters ficam mal a uma Eurodeputada que deveria pugnar pela igualdade entre os sexos e não se regozijar com um "está provado que as mulheres trazem vantagens a...". Se eu fosse mulher e lesse uma coisa destas da boca de um homem sentir-me-ia humilhada, mas se ouvisse isto de uma mulher então cortaria imediatamente os pulsos! Continuo a achar que as mulheres trazem tantas vantagens quanto os homens se tiverem a mesma competência e capacidade. Este tipo de feminismo exacerbado e mal disfarçado só me leva a concluir que algumas mulheres apoiam-se na lei da paridade, nas quotas e nos "relatórios científicos de Edite Estrela" para conseguirem uma cunha para chegar a cargos que de outra forma não chegariam.
Em vez de se preocuparem com leis e números, o que contribui para o aumento da separação entre homens e mulheres e para uma inferiorização do género que com uma lei destas lhe vê ser passado um atestado de inferioridade e incapacidade, preocupem-se em mostrar o mérito que têm e em conquistar o vosso espaço pelos mesmos meios que os homens: através do trabalho!

Sanções para difusão de vírus informáticos são desproporcionais ao bem que se quer proteger

Hoje será discutido no Parlamento o projecto de lei de cibercrime, que propõe um máximo de dez anos de prisão para quem produzir e difundir vírus informáticos.
Não deixa de ser curioso que as tecnologias de informação tenham uma protecção superior àquela que tem a saúde pública, pelo menos considerando que a propagação de doença contagiosa que crie perigo para a vida de outrem, seja punido com pena de prisão entre 1 a 8 anos, de acordo com o artigo 283.º do Código Penal. Nestes casos incluem-se, entre outros, os típicos casos de propagação de SIDA.
Há ou não há aqui uma desproporcionalidade grave nas penas?

quarta-feira, julho 08, 2009

Duelo entre Manuel Alegre e Ana Gomes: 1-0 para a Eurodeputada

Manuel Alegre, no alto do seu pedestal, decidiu entrar na onda da censura às candidaturas duplas para conquistar mais a simpatia dos portugueses que continuam a ver nele um iluminado e uma excepção entre muitos. Para o efeito, Alegre desceu à Terra e exortou Ana Gomes e Elisa Ferreira a optarem pelos cargos autárquicos ou pelo Parlamento Europeu.
Ana Gomes, ao contrário de outros socialistas, mostrou que não é vassala do ansião da aldeia cor-de-rosa e respondeu-lhe (bem, refira-se) recordando que nas Presidenciais de 2006 Alegre era Deputado à Assembleia da República e candidatou-se à Presidência da República, verificando-se, também aqui, uma dupla candidatura. 1-0 para Gomes.
O poeta deu uma resposta no mínimo anedótica, alegando que "a candidatura presidencial é um acto pessoal que pode ou não ser apoiada por um partido".
Excelentíssima Ana Gomes, embora não esteja mandatado para o efeito, permita-me fazer o 2-0 a seu favor: sou contra as duplas candidaturas e subscrevo na íntegra o artigo publicado neste espaço sobre o tema. No entanto, a candidatura aos municípios, tal como a presidencial, constitui um acto pessoal que pode ou não ser apoiada por um partido (veja-se o caso das listas independentes nas autárquicas). Manuel Alegre só não foi apoiado pelo PS porque à última da hora lhe passaram a perna. O mesmo sucedeu com as candidaturas de Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, entre outros, com os respectivos partidos.
A questionar-se a falta de moral de Ana Gomes na sua dupla candidatura, também se deverá questionar a mesma em Manuel Alegre. As situações são exactamente as mesmas, apenas mudam os cargos que estão em causa. Manuel Alegre acaba de sair derrotado de uma pequena guerrilha interna que o próprio iniciar.

Ministra da Saúde vai-se assumindo como Relações Públicas da Gripe A em Portugal

A Ministra da Saúde, Ana Jorge, tem sido elogiada por diversas personalidades por saber acompanhar o impacto da Gripe A em Portugal. No entanto, um cidadão mais atento facilmente vê que Ana Jorge não faz outra coisa senão aparecer na televisão a dizer quantos são os portadores da doença em território nacional. É um género de Relações Públicas da Gripe A em Portugal que comunica ao público o número de "filiais" que a doença está a inaugurar no nosso país.
Mais acresce que muito se discutem os números da doença, mas plano de contingência nem vê-lo! Em vez de se preocupar com as vacinas, as quais chegarão na melhor das hipóteses no final do ano a Portugal, o Ministério da Saúde tem como proposta para combater a crise "pedir ao doente que não saia de casa de modo a não contagiar terceiros e cumprir o que os médicos dizem". Brilhante, sem dúvida!

Real Madrid e as camisolas de Cristiano Ronaldo: as crianças etíopes já têm a barriga cheia?

"O interesse pelas camisolas do futebolista internacional português Cristiano Ronaldo nas lojas do Real Madrid continua a ser intenso, sendo vendidas a uma média de duas por minuto, mais de mil por dia (...) a um custo por unidade de 85 euros."

Fonte: Público

Então e aquela história da fome no mundo, das crianças etíopes, das bolsas de estudo para jovens e os hospitais que podiam ser construídos com o dinheiro que é derretido com Cristiano Ronaldo? Terão porventura acabado todos estes problemas?

P.S.: E que dizer daquela proposta de dar um hambúrguer a cada canadiano?

Desafio às autoridades portuguesas: arrumadores de carros

Numa época em que os vendedores de bolas-de-berlim nas praias estão na mira da GNR e da ASAE por constituírem uma forma de comércio paralelo cujas receitas não chegam aos cofres do Estado e pela falta de condições em que são confeccionadas e distribuídas ao público, proponho um desafio às autoridades portuguesas: os arrumadores de carros.
Esta praga já está de tal forma integrada em várias cidades do nosso país que muitos já consideram os arrumadores de carros como um género de "donos das ruas" a quem tem que se pagar um imposto para poder estacionar a viatura. Muito dificilmente, para não dizer nunca, alguém me apanha a dar um cêntimo que seja a estes indivíduos.
Aqui há uns tempos deparei-me com um arrumador da Praça do Saldanha mais atrevido que insistiu que lhe desse uma moeda. Neguei-a tantas vezes quantas ele insistiu, mas perguntei-lhe quanto é que ele ganhava por dia nesta actividade que, tal como a dos vendedores de bolas-de-berlim, foge ao controlo do Estado. Ele contou-me o seu esquema:
- tem "clientes fixos" que são aqueles que trabalham ali na zona e precisam garantir diariamente um lugar para poder estacionar o automóvel. Para não pagarem parquimetro durante um dia inteiro pagam-lhe 3 euros por dia: assim que um fiscal estiver a chegar à zona, o arrumador tira um bilhete de estacionamento para um período de cerca de meia-hora e prende o bilhete no pára-brisas para evitar a coima. O seu lucro pode variar consoante o fiscal apareça ou não numa zona onde esteja o carro, podendo garantir os 3 euros por dia ou o que restar depois do pagamento do bilhete;
- o indivíduo tinha à data cerca de 20 "clientes fixos" que lhe pagavam os tais três euros ao dia;
- se considerarmos que este arrumador trabalha apenas vinte dias úteis por mês (equivalente a quatro semanas), e ignorarmos os lucros pontuais resultantes de outros condutores que estacionam na zona e lhe dão uma "lembrança", este indivíduo aufere um salário mensal de 1200 euros líquidos!
Como este, existem muitos por aí que, ainda que não facturem estes valores, andam perto dos tais 1200 euros e outros há que devem superar esta quantia, dependendo da zona onde operem.
Face ao exposto, desafio as autoridades a varrerem com a praga que são indivíduos que nos querem ensinar a estacionar um carro de frente e têm lucros que nunca vão passar pelos cofres do Estado. São actividades paralelas, ilegais e em alguns casos revestem carácter usurário, que tendem a criar mau ambiente nas zonas onde se encontram os arrumadores, por norma ligados ao consumo de droga. Além dos vendedores de bolas-de-berlim, seria útil quer para a sociedade quer para os cofres do Estado, o acompanhamento destas actividades e, consequentemente, a cessação das actividades destes indivíduos.

Manuel Alegre e o PS: símbolo do cacique...

Sobre Manuel Alegre já muito foi dito aqui, aqui e aqui. Alegre é um indivíduo indesejável no PS, com muitos camaradas desejosos por lhe fazerem a folha, mas simultaneamente necessário por ser querido de boa parte do eleitorado. Todos os partidos precisam de um grande cacique capaz de "sacar" votos em várias frentes em troca de um lugar de preferência não muito influente.
O poeta-político representa grande parte do que o PS precisa para as próximas eleições e se não encontrarem uma alternativa rápida para o fazerem colaborar com o partido, minimizando os possíveis estragos nas próximas eleições, a reeleição de Sócrates pode estar seriamente comprometida, passando a ideia de falta de liderança se considerarmos os casos de indisciplina (veja-se o caso Pinho), de ruptura (sem capacidade para atrair Alegre e os "alegristas") e de incapacidade para inverter o actual cenário a nível nacional (incumprimento de promessas eleitorais e quebra da confiança da população nas instituições políticas, económicas e sociais).

Eventual condenação dos envolvidos no caso BPN poderá depender da decisão do JIC

Se a informação veiculada pela TVI se confirmar, o juiz de instrução criminal deverá dar instruções no sentido de permitir que Oliveira e Costa aguarde julgamento em liberdade com a justificação de estarem dissipados os receios de perturbação das investigações e de destruição de documentos face a um eventual perigo de fuga.
Assim, e se no final do processo o tribunal entender que não foi recolhida prova suficiente para condenar os responsáveis pelo descalabro do BPN, a responsabilidade pelo fracasso de possíveis absolvições de indivíduos envolvidos no processo poderá ser única e exclusivamente do juiz de instrução criminal se este decidir pela restituição à liberdade de Oliveira e Costa.

terça-feira, julho 07, 2009

A TVI é mais rápida que a sombra do magistrado!

A TVI é mais rápida que a sombra do magistrado que assina um despacho. Os acessos que a estação de Queluz tem nos tribunais são arrepiantes: praticamente anunciam as decisões dos magistrados ao mesmo tempo que estes tomam a decisão e antes de assinarem despachos! O caso de Oliveira e Costa é apenas um de entre muitos aos quais a TVI teve acesso em primeira-mão.
Estranho é que ninguém sequer questione as fugas de informação e a violação do segredo de Estado inerente a processos crime, sobretudo quando estes se afiguram mais complexos e mediáticos. Basicamente, graças à TVI, 10 milhões são notificados de uma decisão judicial antes das partes envolvidas no processo. Não há aqui nada de estranho? Se calhar não e o melhor é mesmo que os jornalistas continuem a garantir o anonimato das suas fontes em toda e qualquer situação, ainda que isso possa comprometer direitos, liberdades e garantias...

Estranha forma de fazer politica ou a crónica de uma imprensa em crise de identidade

Constança Cunha e Sá afirma em artigo publicado no Correio da Manhã que o "programa do PSD está em risco de se transformar num dos maiores mistérios da próxima campanha eleitoral."

Com efeito, a cúpula do PSD percebeu que tinha tudo a ganhar em manter o seu programa eleitoral debaixo do tapete mediático e tem-no conseguido...sem grande esforço.

Discutiu-se durante muito tempo a boa imprensa de que o actual Governo gozava e do quão anómalo se tratava. No entanto, com o ressurgimento do Processo Freeport para a agenda política (mais do que para a agenda judicial) os media perceberam que o Governo de Sócrates era atacável. E logo correram a explorar este filão, à boa maneira sensacionalista mas com uma impressão sóbria.

Assim se apresentam hoje os jornais de referência em Portugal.

Neste registo, as capas rendem mais com Sócrates do que com Manuela Ferreira Leite. Sócrates, como bom político que é, desperta muito mais paixões e ódios que Ferreira Leite. Assim, julgou-se ser económica e editorialmente irrelevante reportar as incongruências, os silêncios, os enganos de Manuela Ferreira Leite em relação ao seu projecto político e às suas convicções (como exemplo, veja-se que nenhum jornal de grande tiragem publicou a declaração chocantemente desfasada da realidade que a presente crise internacional não passava de um - e cito - "abalozinho de terra").

Constança Cunha e Sá denuncia-lo abertamente: "Ainda há uns dias, a drª. Ferreira Leite ameaçou 'rasgar e romper' com todas as soluções adoptadas por este Governo. Enquanto o país, dando largas à imaginação, tentava assimilar as consequências fulminantes desta inesperada ruptura, eis que lhe aparece, pela frente, o dr. Borges a explicar, cheio de moderação, que uma vez no poder o PSD não iria 'riscar' tudo o que foi feito até aqui. É o que se chama a ruptura dentro da continuidade: rompe, rasga mas não risca. Contraditório? No mínimo. Só que agora ninguém regista."

A grande curiosidade é perceber se os jornais se manterão nesta onda sensacionalista e superficial que, na era da informação, desinforma e deforma com licença para operar.

Se continuarem nesta senda, deviam perceber que os portugueses nada gostam mais do que um pássaro ferido que se ergue nos momentos mais difíceis. Aí Sócrates poderá protagonizar o fim desta novela jornalística como o herói, atingindo a redenção.

É que por agora os meios de comunicação já elegeram o alvo a abater e até escolheram a sucessora. Estranha forma de fazer política esta impressa em tipografias.

O número de vítimas continua a aumentar...

De início esperava-se que a apresentação de Cristiano Ronaldo no Real Madrid tivesse um número superior aos 40.000 da apresentação de Kaká. Seguidamente, as estimativas apontavam para cerca de 70.000 na cerimónia. Quando se lembraram que, há 25 anos, Maradona teve 75.000 tiffosi no San Paolo (todos eles pagantes) começaram a apontar baterias para 80.000 no Santiago Bernabéu, pois com Florentino Pérez os recordes são sempre batidos.
Hoje, alguns dizem que estavam 85.000 no estádio e outros há que dizem que estiveram presentes 90.000 pessoas.
No meio de tudo isto, sei que o Santiago Bernabéu tem capacidade para 80.300 espectadores e pelo menos duas grandes bancadas estavam vazias. Agora cada um faça as suas contas.

Ministro Rui Pereira solidariza-se com agentes mas se não tivesse contribuído para o sentimento de impunidade que reina na nossa sociedade...

O Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, regozijou-se com o facto de alguns crimes terem passado a ser crimes públicos após a revisão que entrou em vigor em Setembro de 2007, apesar de declarar sentir-se abalado pelos crimes cometidos contra dois polícias na Amadora.
Cabe dizer que foi o Dr. Rui Pereira quem liderou a comissão de revisão aos códigos Penal e de Processo Penal , tornando-se no principal responsável pela descredibilização do sistema penal em Portugal.
Não se compreende a euforia de alguns defensores das correntes humanistas em volta dos crimes públicos (os quais a única coisa que permitem é que seja o Ministério Público a ter a iniciativa de avançar com a queixa e deduzir acusação sem necessitar da intervenção da vítima), e a desilusão relativamente aos restantes, até porque ainda que o homicídio e as ofensas à integridade física qualificadas revistam a modalidade mais grave das tipologias de crime, se não tiverem sanções e processos que se adequem à sua gravidade, então de nada vale serem crimes públicos. Se um agente cometer o crime de homicídio e se entregar às autoridades, não pode aguardar julgamento de outra forma que não seja a prisão preventiva, podendo a "não fuga" e a "consciencialização do crime" beneficiá-lo em sede de julgamento tendo em vista uma eventual redução simbólica da pena.
Face ao actual cenário, a "busca da verdade material" resume-se, cada vez mais no nosso ordenamento, à discussão de questões meramente formais. A manter-se este regime, não só se consolida na sociedade o sentimento de impunidade em torno de um processo penal, como a descredibilização da justiça aumenta, potenciando a realização daquilo que o Estado pretende evitar, a justiça pelas próprias mãos como forma de garantir que o agente não sai impune.
Agradecemos, assim, ao Dr. Rui Pereira por ter contribuído para a degradação do nosso sistema penal e por contribuir, ainda que indirectamente, com a sua grande revisão das leis penais para que ataques como aqueles aos polícias na Amadora continuem a ser cometidos com bastante frequência, porque os agentes sabem que a lei e as autoridades dificilmente dificultarão as suas missões. Só assim se explica o acréscimo da criminalidade violenta, estando cada vez mais vulgarizados assaltos contra bombas de gasolina, bancos, superfícies comerciais e lojas de rua.
Posto isto, não será difícil concluir que Rui Pereira não só não tem perfil de legislador como também não reúne condições para ser Ministro da Administração Interna. Acresce que afigura-se imperativa a reforma profunda do nosso sistema penal tendo em vista adequá-lo à realidade nacional e garantir o cumprimento de uma das funções do Estado, a segurança, sob pena de potenciar a "latinização" da sociedade portuguesa que se começa a sentir na obrigação de obter meios que garantam a sua própria segurança.

segunda-feira, julho 06, 2009

Twitter e tecnologias do século XXI

Quanto mais se desenvolvem as tecnologias mais obsoletas ficam. É um verdadeiro desafio à paciência dos utilizadores para conseguirem reencaminhar mensagens de um blog para o Twitter, só para dar um exemplo.

Bar Velho no Twitter

O Bar Velho Online está agora disponível no Twitter. Podem aceder e seguir o Bar Velho a partir daqui.

Cristiano Ronaldo em Madrid: 80.000 quê?

O Estádio Santiago Bernabéu tem capacidade para cerca de 80.300 espectadores. Na televisão foi possível ver pelo menos duas grandes bancadas totalmente vazias. Porque é que a comunicação social insiste que estavam mais de 80.000 à espera de Ronaldo? A pergunta que faço é: chegou sequer a ser batido o recorde de Maradona?

Cristiano Ronaldo em Madrid: à "nossa" maneira

Cristiano Ronaldo foi finalmente coroado Rei de Madrid. Independentemente de achar absurdo que milhares de pessoas percam tempo a encher um estádio para ver um jogador de futebol vestir uma camisola de um clube e falar para o público presente (logo os futebolistas que dominam a retórica como ninguém), certo é que fico contente por ser Cristiano Ronaldo e não outro a concentrar tantas atenções à sua volta.
Se alguém tiver que ter sucesso, que seja um português: não só promove gratuitamente Portugal como ainda arrecada rios de dinheiro de estrangeiros. Então se for em Espanha acaba por ter um gostinho ainda mais especial...

Cristiano Ronaldo em Madrid: comparar alhos com bugalhos

Andam por aí alguns portugueses a comparar, de forma muito forçada, diga-se de passagem, Michael Jackson e Maradona com Cristiano Ronaldo. Enquanto admirador dos dois primeiros sinto-me ofendido, sobretudo pelo enorme legado que deixaram e por tudo o que tiveram que passar para chegarem onde chegaram, o que demorou uma vida inteira e não meia-dúzia de anos.
Até ao momento, Cristiano Ronaldo apenas conseguiu conquistar o título de melhor jogador do ano de 2008, o de futebolista mais bem pago do mundo e transferência mais cara de sempre. Ronaldo ainda está a construir o seu espaço e a sua imagem, sendo um tremendo disparate compará-lo no presente a grandes lendas da música e do desporto que se tornaram verdadeiras celebridades por tudo o que fizeram!
Sobre 80.000 num Estádio para o receberem, tal acontece por dois motivos: as entradas são gratuitas e porque os madrilenos já estão endoutrinados por Florentino Pérez para encherem o Santiago Bernabéu de modo a baterem o record daquele que foi deus no futebol, Diego Armando Maradona. Felizmente os números nos ordenados, nas transferências e nos números de pessoas numa apresentação não conseguem apagar as qualidades fora-do-normal que o argentino tinha.

Bendito José Eduardo Martins que não gesticulas!

Os falsos moralismos grassam na nossa sociedade a uma velocidade incrível e, como se tem visto, escolhem um alvo, saciam a sua fome e voltam a adormecer.

Onde está agora o Presidente da República que é o garante do funcionamento das nossas instituições democráticas?

Onde estão agora os deputados dos restantes grupos parlamentares?

Será que estes últimos ainda não recuperaram do choque?

Pinho mereceu o destaque mas José Eduardo Martins tanto faz para alcançar o pelourinho...ora vejam:



E porque não relembrar o clássico dos clássicos:

Roger Federer: a coroação do Rei continua...

Tudo o que vale a pena implica sempre um sacrifício. Se Roger Federer pretendia bater o recorde de Pete Sampras de maior vencedor de Grand Slams e regressar ao topo do ranking ATP, a sua vitória em Wimbledon teria que ser épica. Assim foi: 4h18m de ténis de altíssima qualidade!, numa vitória que de início chegou a ser colocada em causa (Roddick andou muito perto do 2-0 em sets).
Agora restam ao suíço a quebra de mais recordes, alguns deles perfeitamente ao alcance do tenista de 27 anos, nomeadamente o maior número de semanas no 1.º lugar do ranking ATP (Sampras esteve um total de 286 semanas e Federer tem 237 no registo) e o maior número de Masters 1000 (Andre Agassi conquistou 17 e Federer leva 15).
São mais de 10 anos a bater recordes e a conquistar vitórias que fazem dele, cada vez mais, uma lenda do ténis e do desporto mundial. É o mais completo, o mais equilibrado e o mais regular: sempre a vencer!

domingo, julho 05, 2009

The Legendary Tiger Man: pack promocional do novo álbum a 13 de Julho

Paulo Furtado é um dos meus artistas portugueses preferidos. Com projectos como Wraygunn e The Legendary Tiger Man (one-man-band) no âmbito da música alternativa, Furtado consegue chegar a mercados estrangeiros como poucos em Portugal conseguem pela qualidade do seu trabalho.
Dia 13 de Julho prepara-se para lançar um pack promocional do disco "Femina" que chegará às lojas em Setembro. O seu trabalho conta com as participações de Peaches, Asia Argento, Lisa Kekaula, Becky Lee, Phoebe Killdeer, Rita Redshoes, Cláudia Efe, Maria de Medeiros, Mafalda Nascimento, Cais do Sodré Cabaret, Brigitte Fontaine e Cibelle. Quem quiser poderá ouvir o single promocional "Life Ain't Enough Of You" aqui.
A avaliar pela qualidade do que já ouvi do álbum, corre o risco de ser disco do ano.

sexta-feira, julho 03, 2009

Maria João Pires: nunca justificou a nacionalidade portuguesa

De acordo com a comunicação social, Maria João Pires pretende renunciar à nacionalidade portuguesa e tornar-se cidadã brasileira.
Perturbam-me aqueles que pensam que a nacionalidade é como um género de roupa da moda que uma vez gasta e explorada é deitada fora e substituída por outra. Maria João Pires nasceu para a música em Portugal e foi também o nosso país que apoiou muitos dos seus projectos, alguns dos quais, segundo consta, sem que a pianista precisasse de justificar. Devia estar grata por isso e retribuir!
É certo que os apoios estatais à cultura deixam muito a desejar e são o calcanhar de Aquiles de qualquer Governo, mas arrepiam-me estes tipos das artes que, apesar das regalias que têm por contribuir activamente para a cultura de um país, de todo o sucesso que fazem e do reconhecimento que têm, se não lhes forem dados subsídios não se fazem à vida e censuram quem não sustenta alguns dos seus devaneios.
Maria João Pires tem uma qualidade de vida que, embora não seja igualmente proporcional, anda bastante perto do talento que tem. Torna-se assim incompreensível que se a pianista não receber apoios do Estado também não demonstra vontade em investir um cêntimo seu que seja pelo seu amor à música.
Abdicar de uma nacionalidade que a catapultou para a fama mundial e muito apoio lhe deu apenas porque o Estado não está em condições de satisfazer todos os seus caprichos só significa uma coisa: ingratidão! Maria João Pires devia provar que merece a nacionalidade que ainda tem dando um pouco de si pela cultura nacional e contribuir para o seu engrandecimento para que um dia artistas como ela possam ser justamente recompensados pelo Estado português em vez de esperar que o Estado a sirva. Por mim pode ficar no Brasil e comer muito acarajé em S. Salvador. Só lamento mesmo o duplo CD que comprei há cerca de três meses, pois foi dinheiro deitado fora.

Manuel Pinho: afinal em que ficamos?

15 minutos após o final do debate parlamentar sobre o Estado da Nação, onde o Ministro da Economia deu nas vistas pelos piores motivos, os jornalistas assaltaram Manuel Pinho e questionaram-no sobre se teria condições para continuar no Governo. Pinho respondeu "absolutamente, sobretudo enquanto safar postos de trabalho".
O "safar" confesso que é uma palavra que me intriga sobretudo quando pouco mais de uma hora após ter prestado estas declarações onde mostrava confiança e certeza de continuar à frente da pasta da Economia, o mesmo Manuel Pinho diz que apresentou a sua demissão "por não ter condições". Ou algo se passou neste período e foi de tal forma grave que o Ministro deixou de estar com condições depois dos "chifres", ou então está aqui mais um episódio semelhante ao que opôs o PM ao Ministro da Agricultura há uma semana atrás em que se desmentem ao mesmo tempo.
Estes episódios mostram que ou há falta de diálogo entre os membros do Governo ou então há uma tremenda desorganização no interior do Executivo faltando alguém capaz de definir uma estratégia comum que todos sigam e fazer passar a mensagem de modo a revelar para o exterior coesão e coerência entre os vários membros do Governo.
A verdade é que Manuel Pinho sabia que se tinha excedido mas não pretendia abandonar o cargo. A conversa com Pedro Silva Pereira e Augusto Santos Silva acabou por precipitar a decisão. Pinho já estava na corda-bamba há muito, tratando-se de um Ministro cuja saída já era exigida há muito tempo e com a derrota do PS nas europeias intensificou a pressão sobre Sócrates para que este afastasse Manuel Pinho. À mínima falha, o PM mostrou que tem mão pesada e pretendeu mostrar que afinal o sentimento de impunidade que reina entre a população não tem qualquer cabimento. Maria de Lurdes Rodrigues que se cuide, porque poderá ser a próxima a dançar se ousar aproximar-se do risco como fez Pinho.

Manuel Pinho: herói, vilão... duplo?

Durante quatro anos Manuel Pinho é martirizado e torturado pelos portugueses, da esquerda à direita. Quando finalmente o conseguem crucificar, minutos depois da sua morte política, os mesmos que o assassinaram transformam-no num género de Messias e afinal Pinho já não é o "ministro inútil com mais gaffes que tiros certeiros", mas sim o "ex-Ministro da Economia que deixou obra feita com feitos nunca antes vistos" e que "num acesso de cólera deitou tudo a perder". Um herói, portanto, que afinal ainda sai em braços...

Candidatos ao Pelourinho

Hoje Pinho está exposto no pelourinho.

Parece-nos, no entanto, existirem outros deputados com apetência e potencialidade para alcançarem tal distinção.

Ora vejamos:




Depois de se irritar com as palmas da bancada socialista e apelidá-las de soviéticas (as palmas da sua bancada serão, porventura, salazarentas?) veja-se Rangel e a insistência desrespeitosa para com o Presidente da Assembleia da República.

Todavia, reservamos o melhor para o fim, a cereja no topo do bolo laranja.



Muitos parabéns senhores deputados! O Pelourinho está à distância de um ramo de oliveira.