sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Há males que vêm por bem

"Portugal corre o risco de perder um lugar na Taça UEFA em 2010/2011, um cenário que apenas parece possível de evitar com grandes campanhas de FC Porto e Sporting Braga na época em curso das provas europeias."

Fonte: Público

Infelizmente, não posso lamentar esta notícia. A presente época é a última em que Portugal vai contar com 7 (!!!) equipas nas competições europeias, um cenário um pouco desadequado para um país que tem um campeonato muito mediano como o nosso, e com apenas 16 equipas. Ou seja, de acordo com os actuais critérios, a primeira metade da tabela dá direito a participar de igual para igual com equipas que jogam em campeonatos mais competitivos e com 18 ou 20 equipas, onde andam todas praticamente ao mesmo nível. Não me parece justo.
Não me parece igualmente justo que tenhamos equipas nacionais a produzir fraco futebol no exterior. Casos como Paços de Ferreira, Belenenses (belos tempos em que era uma verdadeira equipa de Europa), Marítimo, Nacional, União de Leiria, Vitória de Setúbal e companhia, sinceramente, não vão à Europa fazer nada, senão envergonhar o futebol português. Por mais que digam que é a experiência internacional, e a contínua participação nas competições europeias, que permitem a conquista de resultados positivos no futuro, a verdade é que isso deveria ser um factor motivador para que estas equipas não tivessem nada a perder, esforçando-se por marcar golos e ganhar jogos. Tal não acontece. Excluíndo Porto, Benfica, Sporting e Braga, todas as outras equipas nacionais que vão à Europa mais não fazem do que jogar "à retranca". A sua ambição passa por "encher a casa" e sofrer o menor número de golos possível. Ora, quem é que consegue acumular "experiência" a fazer dois jogos internacionais de dez em dez anos e a jogar à defesa os 180 minutos que duram a eliminatória? Ninguém.
Assim sendo, perder alguns lugares não faz mal nenhum ao futebol português, antes pelo contrário, devia ser motivo de reflexão pelos responsáveis máximos do futebol português. Na verdade, termos apenas duas equipas na Liga dos Campeões e duas, no limite três, na Taça UEFA, parece ser o mais justo, embora tenha sérias dúvidas quanto à participação do Sporting na Liga Milionária. Se Benfica e Porto têm bons resultados nesta competição, o Sporting faz a figura de "Paços de Ferreira da Liga dos Campeões". Todos os anos o discurso é o mesmo: "sejamos realistas, vamos tentar chegar o mais longe possível". Não, não podem ser realistas, têm que sonhar e isto é o que os adeptos vos exigem! Ora, uma equipa grande, mesmo em Portugal, assume desde logo a sua candidatura aos oitavos-de-final. Se o Sporting não o faz é porque continua a ser uma equipa demasiado pequena cuja única ambição é facturar uns milhões de euros para amparar a sua semi-humilde folha de salários. Isto não é ambição. Os 0-5 contra o Bayern Munique foram merecidos. O meu patriotismo obriga-me a torcer sempre pelas equipas portuguesas no estrangeiro, até pelo Porto, como se fossem o Benfica a jogar, mas jogar a medo, em casa, contra uma equipa que este ano nem está a ser aquela máquina devoradora de adversários que já foi noutros anos, é por si só embaraçoso. Com esta ambição, o Sporting continua a demonstrar que é demasiado pequeno para uma Champions. Dêem espaço ao Benfica. Pode nem se qualificar para a fase seguinte, o que acontece aos melhores, mas pelo menos assume a sua candidatura e esforça-se por lá chegar.

P.S.: Aos sportinguistas que se sintam tentados a falar na época vergonhosa do Benfica na Taça UEFA, as épocas atípicas acontecem aos melhores, e a alguns até por diversas vezes. Ao Porto já aconteceu algumas vezes, ao Benfica idém, e o Sporting, pasmem-se, já teve uma época tão atípica para a sua realidade que até já conquistou uma Taça das Taças. E esta, hein?

1 comentário:

poeta irreverente disse...

Parece-me que este ano o Benfica já levou 5 dos gregos do Olympiakos e há cerca de 8 anos atrás levou 7 do Celta de Vigo, equipa que hoje está na II Liga espanhola.

Mas isso o nosso amigo DJ não se lembra.