domingo, março 25, 2007

Digam-me coisas novas...

Na passada 5.ª feira, Jorge Sampaio apresentou a conclusão decorrente de um longo e cansativo estudo que possivelmente deve ter encomendado durante os 10 anos que foi Presidente da República. Segundo o próprio, "há portugueses que não fazem certas tarefas em Portugal para fazê-las no estrangeiro". Quando disse isto, possivelmente deve ter pensado que estas declarações iriam abrir os noticiários, como se da descoberta da pólvora se tratasse.
Que os portugueses não fazem certas tarefas em Portugal, para as fazerem no estrangeiro já eu sei há muito tempo. Farto-me de falar disso no dia-a-dia e até indico o porquê. Não é que seja novidade para quem quer que seja, mas a culpa disso não é os portugueses não quererem fazer essas tarefas em Portugal por preguiça, ou por falta de vontade. É mesmo porque se podem fazer o mesmo noutro lugar e ganhar cinco ou seis vezes mais, para quê fazê-lo aqui? Aqui é maior o esforço do que a recompensa. No estrangeiro estes dois factores andam equilibrados. A culpa dos salários serem tão discrepantes deve-se ao facto do nosso salário mínimo e médio serem diferentes dos dos restantes países desenvolvidos e do facto dos patrões preferirem mão-de-obra mais barata, de forma a poderem poupar nos custos. Quem é a mão-de-obra barata em Portugal? Os imigrantes que fazem tudo e dão tudo por duas migalhas no fim do mês. De quem é a culpa do excesso de imigrantes em Portugal? É do Estado que permite tal situação. Eu se fosse empregador, naturalmente que procuraria a situação mais barata e fácil, para obter mais lucro. Eu se fosse imigrante, naturalmente aproveitaria os buracos na lei e a permissividade, para cá entrar. Mas o Estado aqui não tem o "eu se fosse", e tem muita responsabilidade sobre o que se passa no País.
Achei curiosa a forma como Sampaio imputou responsabilidades nos patrões e nos portugueses, alegando que já não é negligência do Estado o desemprego de hoje em dia. Ora, pela forma efusiva como Sampaio concluiu que os portugueses recusam fazer certas tarefas em Portugal para fazê-las no estrangeiro, ao fim destes anos todos, e pela forma como abordou a causa disso mesmo, estou em crêr que vai demorar mais 10 ou 20 anos para descobrir a razão de ser do acontecimento desse fenómeno.

2 comentários:

Pedro Sá disse...

Havia de ser bonito para o sector privado com essas mudanças que defendes...

DJ disse...

No estrangeiro dá resultado, porque é que em Portugal não daria?