segunda-feira, março 19, 2007

ASAE

Pude observar recentemente através da imprensa televisiva e escrita, as acções levadas a cabo pela ASAE. Aliás, não são acções, são as mega-operações. Fiquei contente por ver que ainda temos algumas entidades públicas que trabalham e cumprem os fins para os quais foram criadas. Vi ontem na 2: uma entrevista ao Presidente da ASAE, António Nunes, que falou sobre a organização, as competências, sobre as operações recentes, etc.
Não obstante tudo isto, vejo alguns iluminados desta sociedade, os treinadores de bancada do costume, criticarem a notoriedade que é dada às acções da ASAE, falando em cobertura televisiva, como se de um filme de cinema se tratasse, ou de um jogo de futebol. Resumindo: trataram a cobertura das operações da ASAE como se fosse tudo show off e quase teatralizado, alegando que se estaria a dar protagonismo a esta entidade.
Na minha modesta opinião, não me choca nada que lhes dêem protagonismo. Talvez funcione como motivador para continuarem a trabalhar. Muito honestamente, se em troca de uns segundos de fama, eles continuarem a trabalhar da forma exemplar como têm feito, manifestando competência e cumprindo com os objectivos para que foram contratados e para a existência desta entidade pública então, por mim, até lhes podem dar 1 hora de exclusivo por semana. Têm feito um trabalho de excelente qualidade, têm provado que são dos poucos que ainda cumprem a sua actividade. Se são mega-operações ou operações mais pequenas, não importa. Não importa, ainda, que andem com câmaras de televisão atrás. Sempre mostram mais trabalho do que alguns que por aí andam cheios delas, e que só fazem asneira atrás de asneira em busca de protagonismo, mas sem dar trabalho feito em troca.
Já nos habituámos a ver as pessoas competentes serem crucificadas, um pouco por todo o lado. No caso da ASAE, reclamam da cobertura televisiva que é dada a gente que trabalha e trabalha bem. Paulo Macedo, ex-director-geral dos Impostos, também foi vítima do seu protagonismo. Trabalhou e muito bem, mas o ordenado que auferia era altíssimo. Um homem que ajudou o Estado a recuperar milhões, foi mandado embora porque ganhava o mesmo que Fernando Gomes na GALP, ou que Nuno Cardoso nas Águas de Portugal. A qualidade e quantidade de trabalho apresentada entre estes três é diferente, mas quem saiu foi o elo mais fraco... Paulo Macedo. Como vêem, dos poucos competentes que temos, não conseguimos segurar a maioria, e os poucos que sobram ainda levam um chuto no traseiro, porque "ganham demais", ou "têm uma câmara atrás". Pergunta: o crime compensa ou não? Resposta: nem sempre, mas na maior parte das vezes sim.

4 comentários:

kaka disse...

Antes de mais, IMPRENSA é só escrita, não abrange a televisão. Aliás, dizer "imprensa escrita" é uma redundância.

Em segundo lugar, sabes bem que no excesso não há virtude. E a ASAE não tem feito assim um trabalho tão exemplar, e isso ninguém pode negar, já que está filmado, está documentado pela comunicação social.

Um exemplo: A ASAE foi à doca de Setúbal e apreendeu peixe que estava a ser descarregado. Motivo: utilização de caixas de madeira já antes utilizadas. Fim da proibição da reutilização de caixas: protecção da qualidade do produto no transporte.
Até aqui tudo bem.

1) Mas eis que a tão competente ASAE apreendeu o peixe e... Deu-o a uma instituição de solidariedade social. Um inspector declarou que o peixe estava em boas condições.

2) A televisão filmou a recepção do peixe pela instituição, pelo que esta pegou nas caixas de madeira e "enfiou-as" literalmente dentro das arcas frigoríficas.

Ora para tudo isto há duas palavras: 1) ridículo; 2) palhaçada!

Sim, é show off. Que dizer de uma ASAE que apreende o peixe do pobre do pescador que se esmifrou ao frio e ao vento para o apanhar, alegando as más condições de transporte, para depois o ir entregar a pessoas que o vão consumir. Ora, se o peixe estava em boas condições (apesar do transporte com violação de regras) porque não devolvê-lo ao PESCADOR??

E ainda, porque não apreender o peixe e multar a instituição que o recebeu, se o conservou em violação das mesmas regras??

Dá que pensar.. E são sempre os mesmos interesses a valer. Quem será que gere a tal instituição??...

Isto é mais do que show off, é a demonstração do poder, é o Governo a mostrar que PODE E MANDA, assim subtilmente, mas mostrou!

Pedro Sá disse...

1. Comparar uma Direcção-Geral com uma empresa pública é profundamente cretino e errado.

2. Como é mais que óbvio, Paulo Macedo não foi convidado para continuar porque não é da confiança política do Governo. Duvido que algum Governo quisesse ter um Director-Geral dos Impostos sem ser da sua confiança política.

DJ disse...

Kaka,

obrigado pelo reparo. Quando me referi a "imprensa escrita e televisiva", queria referir-me a comunicação social em geral.

Discordo quando dizes que no excesso não há virtude. Há casos em que pode haver, ou depende do que consideres excessivo. No caso da ASAE, não vejo nada de excessivo.

Até pode ser mais uma manobra "Socrática" tudo isto, mas os homens realmente trabalham! Aqui tenho manifestado várias vezes o meu sentimento anti-PS, mas se a ASAE trabalha, a glória a quem a merece!


Sá,

Não é da confiança política? E da confiança em geral? Um tipo que faz o Estado ganhar milhões e tem o seu trabalho elogiado dia-após-dia não é da confiança polítca só porque anda ali entre o rosa e o alaranjado? Afinal no Estado queremos pessoas de confiança, que façam as coisas como deve ser, ou queremos partidários? Não me lixes!

Pedro Sá disse...

É laranja ele.

E vou repetir. A Direcção-Geral dos Impostos é uma área de tal maneira sensível e onde é de tal forma importante o cumprimento das decisões políticas do Ministério que obviamente Governo nenhum de cor nenhuma quer lá alguém que não seja da própria cor.