quarta-feira, janeiro 24, 2007

Presidenciais em França

São já em Abril as Presidenciais de França, com 2 candidatos seguros (Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy) e outro em dúvida (Jean Marie Le Pen).
Nicolas Sarkozy, candidato pelo UMP (União para o Movimento Popular), é o actual Ministro do Interior, e aparece à frente nas sondagens. Tem a seu favor, ser um tipo destemido, corajoso, frontal e competente. Conseguiu ganhar a confiança do seu partido, quando o mais previsível seria de esperar o apoio a Dominique de Villepin, actual Primeiro-Ministro. No entanto, uma série de esquemas para encostar Sarkozy, por parte de Villepin e de Jacques Chirac, levaram a que o partido se unisse em volta de “Sarco”.
Ségolène Royal, candidata pelo PSF (os socialistas lá do sítio), segue actualmente com menos 4 pontos percentuais face a Sarkozy. Há algumas semanas atrás chegou mesmo a liderar as sondagens. Grande parte da sua popularidade deve-se ao facto de correr o risco de ser a primeira mulher a ser Presidente de França, sendo esse o principal motivo que muitos dos seus apoiantes deram para votarem nela. Recentemente fez questão de promover algumas das medidas que pretende implementar no seu país, destacando-se aquela que prevê o cumprimento de serviço militar para todos os delinquentes que cometam um crime até um determinado limite de pena de prisão. Em vez de se os colocar em prisões, colocam-nos a servir a Pátria. O que comprova que só é tão popular por ser mulher, é o facto de, nas últimas Presidenciais, o PSF ter sido batido por Jean Marie Le Pen na ida à 2.ª volta com Jacques Chirac. Uma boa jogada de Marketing do PSF. Tem ainda a vantagem de reunir o apoio (informal) de Villepin e dos imigrantes que ainda se encontram muito magoados com as palavras de Sarkozy quando este os apelidou de “escumalha”.
Jean Marie Le Pen, é a pedra no sapato de muitos. Causou algum furor e alarme nas eleições passadas, ao disputar a 2.ª volta com Chirac, acabando por perdê-las. Representa a extrema-direita francesa e é, de longe, um polémico candidato. A mais recente polémica veio no decorrer do Mundial’2006, onde teve oportunidade de dizer que se fosse Presidente de França, todos os jogadores deveriam cantar a Marselhesa, e que a equipa apresenta demasiados jogadores “escuros”, fazendo crer que só existem negros na França. Parece, no entanto, ser o único capaz de repor a ordem num País que vive uma confusão tremenda no relacionamento entre imigrantes e nacionais, sendo a esperança de muitos franceses para terminar com o aumento do número de imigrantes na França, que começa a ser um número bastante considerável e começando a ter demasiados poderes para aquilo que seria de esperar de imigrantes. Le Pen promete disciplina e rigor, sem esquecer outras questões importantes do Estado. O fenómeno à volta de Le Pen, aumenta a cada dia que passa, batendo recordes atrás de recordes nas sondagens que se fazem, apesar da sua candidatura não ser certa. De facto, obteve 17% (!!!) das intenções de voto nas sondagens realizadas há 3 semanas, o que serve como prova do constante crescimento que os partidos de extrema-direita e nacionalistas estão a atingir um pouco por toda a Europa. Poderá baralhar e atrapalhar as contas de Sarkozy, correndo o risco da sua candidatura dar a vitória a Ségolène Royal.

Tendo em conta estes dados, gostaria de manifestar a minha opinião sobre as Presidenciais em França. Le Pen parece-me um possível candidato inteligente, dinossauro político e visionário. No entanto, o excesso de radicalismo em que poderá cair, leva-me a optar por um candidato autoritário, também inteligente e de Direita, como é Sarkozy. Atribui prioridade a algumas matérias que Le Pen também atribui, no entanto, apesar de poder ser disciplinador, sem qualquer medo do que daí possa devir, não o será em excesso como Le Pen promete ser. Ségolène Royal é uma senhora simpática, mas não me parece que ser mulher seja motivo suficiente para vencer eleições. É importante a participação da mulher na política, devendo manifestar essa presença de igual para igual para o homem. No entanto, só ser mulher, não é sinónimo de competência, da mesma forma que ser homem também não o é. Os seus apoiantes deverão reunir outro tipo de argumentos. Assim sendo, a minha preferência vai para Nicolas Sarkozy. Boa sorte! Façam as vossas apostas.

10 comentários:

Pedro Sá disse...

Parabéns Ale, conseguiste mostrar a toda a gente uma monumental ignorância sobre política francesa !

DJ disse...

Onde está a ignorância?

O_PARVO disse...

Não posso manifestar-me com total conhecimento de causa, uma vez que não conheço profundamente os candidatos, nem a conjectura política francesa. No entanto, posso dizer dizer que não concordo com nenhum dos nomes avançados pelo DJ como "melhores candidatos". Não só por ambos pertencerem à extrema direita (é conhecida a posição do ministro do interior françês em realção aos imigrantes, esquecendo-se que a França, assim como Portugal é um país de imigrantes e emigrantes!, e em realção ao Le Pen é quase um 2º Hitler!). Podem-me chamar de ignorante (o que assumo desde já), no entanto sou daqueles que entende que nos extremos não se encontram as virtudes! As pessoas que dirigem um Estado têm de governar para todas os cidadãos!
Um chefe de Estado ou um PM não podem pensar só nos seus e no seu bem-estar, senão corremos o risco de se privar os mais elementares direitos fundamentais! Sou a favor de pessoas competentes nos órgãos de decisão política do Estado, seja em que cargo fôr, mas não posso apoiar pessoas que não olham aos meios para atingir fins!

Fernando Caetano

DJ disse...

De facto, Fernando, estás enganado quanto a um dos nomes. Sarkozy não é extrema-direita. Tudo aquilo que disse foi, após uma visita a uma zona altamente degradada de França, cujo nome não me recordo agora, que iria tirar "livrar a França desta escumalha".
Nunca os eliminaria, ou teria outro tipo de acto para com eles que fosse lesivo. Até porque os pais de Sarkozy são grega e búlgaro respectivamente. Ora, sendo os búlgaros um povo "indesejado" na Europa (em parte) por ser um povo com grande parte de ciganos, parecia-me incoerente ele ter algo semelhante a Le Pen, ou ser apelidado de extrema-direita apenas por querer colocar limites na política de imigração. Todos os países têm que ter políticas de imigração e isso, que eu saiba, ainda não é nazismo, racismo ou xenofobia.
Quanto a Le Pen, a opinião já anda bem mais próxima da verdade. No entanto, não apoio o mesmo. Le Pen pode ter um efeito útil e ser "um dos melhores candidato", que é alarmar os franceses para o que se está a passar no seu país: ganhar as eleições nunca, mas... o que faz os franceses considerarem votar num tipo que em muito se poderá parecer a Hitler? Digo "em muito se poderá parecer" porque não sabemos se uma coisa é falar e sendo eleito se faria mesmo aquilo que promete, ou se seria ainda mais radical (possível?).

Pedro Sá disse...

1. De facto a ascendência de Sarkozy é húngara...

2. A ignorância quanto a certos factores bem mais estruturais que conjunturais...um certo machismo (aí sim) na política francesa em geral e no PSF em particular, etc...

DJ disse...

1. Sá, que tem um dos pais gregos isso eu sei. Se o outro elemento é húngaro ou búlgaro, que qualquer um deles apresenta um elevado número de ciganos, isso apresenta.

2. Quando te referes a machismo, espero que não seja da minha parte, dado que sou um acérrimo defensor da participação activa da mulher na política da mesma forma que os homens, e dado que veria com muito bons olhos uma mulher Presidente da República Portuguesa. No entanto, não é uma qualquer apenas porque é mulher. Tem que, pelo menos, inspirar confiança. E realmente vai haver muito francês a votar na Ségolène Royal apenas por ser mulher. Já vi entrevistas, sondagens, que revelam isso mesmo. Não sou eu a atirar algo para o ar a ver se pega.

Pedro Sá disse...

A questão é que nas condições específicas da França em 2007 SER MULHER candidata de um partido grande mostra alguma diferença relativamente ao usual.

E, de facto, o relevante nem é isso. É trazer uma diferença claríssima de postura.

Pinokio disse...

ora parece-me a mim que desapareceram montes de respostas aqui. E que eu saiba não ofendiam ninguém.Afinal a censura é feita sem haver ofensas como o sr alexandre dizia.Caguei para este blog.

DJ disse...

Caro pinokio,

só 2 tipos de pessoas podem apagar os comments: os administradores do blogue e os autores dos comentários. Nenhum dos 3 autores o fez, logo... sobram os respectivos autores. Antes de lançares a confusão e te armares em parvo com acusações aos outros sem necessidade, informa-te e tem juízo, que aqui ninguém apagou comentários a não ser os próprios autores!

Pinokio disse...

Nenhum dos 3 autores o fez, logo... sobram os respectivos autores

1º-Decida-se, foram os autores ou sobram os autores??
2º-Os comentários em causa eram meus, sabendo eu que não apaguei nenhum post meu...neste "tópico" faltam 2 comentários meus.Quem os apagou??O padre da freguesia??