sexta-feira, janeiro 19, 2007

Em memória de um grande homem

O Prof. Ruy de Albuquerque entrega a Medalha de Ouro,
símbolo do prémio Pro Iustitia, ao Papa João Paulo II

Faleceu hoje, o Prof. Ruy de Albuquerque. Conceituado Professor, encontrava-se já jubilado. Um ícone da História e do estudo da História de Portugal, em particular a História do Direito. Grande académico, muito bom homem. Era um autêntico senhor, tal era a forma educada e correcta com que se relacionava com as pessoas.
Foi professor de todos os redactores do Bar Velho, nos anos de 2000/01 e 2001/02. Infelizmente, os alunos que entraram na Faculdade de Direito de Lisboa nos últimos dois anos, não tiveram oportunidade de conhecer este grande homem que hoje nos deixou. Recordo-me muito bem dele e sempre o recordarei pelo que supra indiquei.
Creio que seria de manter esta simples e curta homenagem ao Prof. Ruy de Albuquerque feita no Bar Velho Online, durante 2 dias, não se fazendo referência a qualquer outro assunto no mesmo, em respeito e memória do Professor que hoje nos deixou.
À família, aos colegas e a todos os que, tal como nós, foram seus alunos e contactaram de perto com ele, prestamos as nossas condolências.
Até sempre Professor.

25 comentários:

murodaslamentacoes disse...

Aqui deixo o meu adeus a um grande senhor...

Filipe de Arede Nunes disse...

Curvo-me perante a homenagem. Adeus Senhor Professor.

R.B.M. disse...

Uma grande perda para a FDL. Deixa saudades a todos os alunos que descobriram, por debaixo de uma figura séria e austera, um senhor correcto, inteligente, afável e bem-humorado. O amor e a dedicação que ele tinha à faculdade eram algo impressionante. Até sempre Senhor Professor.

LM disse...

è pena, e fica o reparo, que nem o presidente da nesa cessante, nem o recentemente eleito, tenham feito uma referência ao Prof. Ruy de Albuquerque.
Seria mais que justa e merecida!
Para quem teve o prazer de ler a sua obra e assistir às suas aulas, as palavras são parca homenagem...

LM disse...

errata:

onde se lê ''nesa'' no comentário anterior, deve ler-se ''mesa''.

MRS disse...

Uma irreparável perda para a Academia e para o Direito. Foi, sem dúvida, um dos mais marcantes mestres que tive nesta casa. Era, além de excelente cientista do Direito,um grande pedagogo. Relembro, com saudade, a clareza do seu raciocínio e a sua capacidade oratória. Recordo-me, igualmente, da emoção com que leccionava e o modo cordial e afável com que tratava os seus alunos. Enfim, foi e continuará a ser um exemplo para gerações de juristas. Obrigado e adeus, senhor Professor!

Poeta Irreverente disse...

Levo nas minhas memórias de FDL Ruy de Albuquerque, o Professsor que se emocionava ao leccionar e que chorava com as memórias que contava aos seus alunos.

Até sempre Senhor Professor.

Pedro Sá disse...

Grande homem ? Discordo totalmente.

É um dos dois responsáveis por História do Direito que podia ser talvez a cadeira MAIS interessante do curso e dar a conhecer aquilo que realmente é a evolução do Direito ser uma enorme estopada com Direito Português Medieval. Se querem ver as diferenças, folheiem o livro de História do Direito do Prof. Paulo Ferreira da Cunha que é utilizado na Universidade do Porto. Ou aquele que deveria ser o manual em qualquer universidade, "Cultura Jurídica Europeia", do Prof. Hespanha.

Para além disso como professor era um perfeito desastre.

Não fico feliz com a morte dele como não fico com a de ninguém salvo raras excepções, mas de facto daí até dizer o que vocês dizem...

Interpelador disse...

O único contacto que tive com o Professor Ruy Albuquerque foi durante o exame final, durante a cordial, embora ridícula, passeata, aluno a aluno, onde se repetia: "Precisa de ajuda?"; "Precisa de ajuda?"; "Precisa de ajuda?" e por aí em diante.

Mas o que me traz aqui hoje é somente observar o valor da palavra - ainda que escrita: passados os "dois dias" verifica-se que, afinal, o respeito por tal Professor não era assim tão grande, muito pelo contrário.

Conclui-se que, para quem já não frequenta a FDUL, as turrazinhas académicas são mais merecedoras de dignidade que uma vida dedicada à Academia...isso sim, transcendente de todos os blocos de 5 anos.

Nada a que não se esteja habituado, vindo de quem vem...

DJ disse...

Lamentavelmente, faço minhas as palavras do interpelador. Para muita gente interessa é correr sangue e debochar da derrota dos outros. Dedicar 2 dias em respeito a um nome grande da FDL não interessa. Apenas interessa manifestarem as suas iras.

Pedro Rodrigues disse...

O Professor Ruy de Albuquerque foi verdadeiramente um dos ultimos Grandes Senhores da Faculdade de Direito, juntamente com o professor Martim, um dos que mais contribuiu para elevar o nome da faculdade no pós 25 de Abril...
Não foi meu professor, pois fui aluno do Prof. Martim e do Prof. Duarte Nogueira, mas colaborei de perto com ele 4 anos na disciplina de Historia do Direito...
O manual pode não ser o mais adequado para alunos do 1º ano, mas é ciêntificamente do melhor que há... e é trabalho dos assistentes, nas aulas práticas ajudar os alunos a compreende-lo...
Deixou uma escola, o que muito engrandece a faculdade...
Mas mais do que isso deixa uma forte marca naqueles que com ele privaram e trabalharam...
Com saudade e tristeza

Pedro Rodrigues
Mestre em Direito

Interpelador disse...

Que raio de lata tem aquele que se intitula de "o guerreiro", para censurar aquilo que lhe cai na azia?

Um "guerreiro" acobarda-se e esconde a critica?

Um "guerreiro" censura, em vez de combater?

Mas por outro lado:

Um "guerreiro" faz-se passar pelo que não é?

Um "guerreiro" falta com a sua própria palavra e inverte a sua própria posição, para "ficar bem"?

São nomes...apenas isso.

Pedro Sá disse...

Pedro,

Cientificamente até pode ser bom, mas tens de concordar comigo que aquela matéria não é uma História do Direito, é Direito Português Medieval, ponto.

Pedro Rodrigues disse...

Pedro,
Eu nesse aspecto não sou suspeito, porque fui o primeiro a escolher e conseguir apresentar a tese de dissertação em Direito Romano, muito por "culpa" do Professor Ruy de Albuquerque que muito estimo, mas o Manual não é uma obrfa monolítica, é antes fruto de muitos contributos, como o do Prof. Duarte Nogueira, uma obra sempre inacabada...
Acontece que a maior parte do trabalho de investigação histórico-jurídica na faculdade tem versado sobre o período medieval, pela riqueza dos temas e das fontes e pela facilidade de poder contar com um dos maiores especialistas, o Prof. Duarte Nogueira...
Nem todos estão dispostos a fazer a investigação toda sozinhos ou a deslocações frequentes fora do país para recolher elementos de estudo...é mais fácil colher onde outros semearam.
Na academia também se aplica o adagio a primeira geração cria, a segunda desenvolve, a terceira...
Ainda que Professor Ruy de Albuquerque não seja um romanista a ele se deve ter a FDL uma escola de Direito Romano,ainda no seu começo, é verdade, que ganhou expressão com o Doutoramento do Professor Vera Cruz e com o meu mestrado, para além de uma escola de História do Direito, que é sem sombra de dúvida das melhores a nivel europeu, e o digo sem soberba, porque como disse sou romanista e nesse aspecto ainda temos muito que caminhar para lhe chegarmos aos calcanhares!
A razão da nossa discordancia prende-se também com concepções diferentes de ensino universitário: na universidade um manual não é o unico instrumento de estudo, o aluno deve procurar, cabe ao docente ajudá-lo... o Manual de HD é um fio condutor,importante para estabelecer parametros comparáveis sem os quais não pode haver avaliação comparável, mas os alunos podem e devem ser encorajados a estudar por outras fontes, sobretudo se têm maiores dificuldades...nesse aspecto é bom que o manual que serve de padrão seja mais dificil porque desestimula o facilitismo...
Veja-se o caso de CPDC em que o manual do Professor Jorge Miranda (a quem eu também muito estimo)por ser tão acessivel desestimula os alunos à excepção dos melhores a procurarem as grandes obras como a de Duverger, Marques Guedes, Canotilho, etc, que deveriam ler para confrontar...
Não me parece que uma boa escola e uma boa reputação se criem com facilitismo...Não é isso que caracteriza as boas universidades, não é isso que o mercado de trabalho espera...
A faculdade, mais do que a teoria, que tende a ser ultrapassada, deve ensinar competências... Daí a importancia das cadeiras históricas!
Hoje as actividades que desenvolvo nada t~em a ver com direito, mas as competências que adquiri, sobretudo a nivel de investigação e pesquisa são fundamentais...
Quanto à obra do professor Hespanha a que alude, não é das suas melhores obras... sendo um historiador razoável, está longe de ser um grande jurista...
Enfim, quem não tem cão, caça com gato!
Saudações académicas

Pedro Rodrigues

pprc disse...

Há pessoas que deixam a sua marca na vida. Tocam em milhares de outras, deixam obra feita, preocupam-se com os outros. São educadas, bondosas e generosas. Vivem e morrem com uma dignidade inigualável.
Há outras cujos únicos feitos são denegrir quem se distingue.
É assim a vida. Nenhum Homem grande passa sem detractores. Ao contrário só é grande quem tem detractores. E o Senhor Professor Ruy de Albuquerque foi a todos os títulos um Homem grande. Por isso se compreende que, ainda antes de enterrado, um qualquer medíocre venha para aqui dizer mal do nosso Professor. Mas o fel que anima e corrói a alma desse tal de pedro sá não apagará nunca nem a verdade dos factos, sublinhada nos milhares de pessoas que ao longo de dois dias passaram pelos Jerónimos e encheram por completo o mosteiro durante a missa de corpo presente do Professor Ruy de Albuquerque.
Nunca o esqueceremos.
Quanto a Hespanha e Paulo Ferreira da Cunha (que queria ser Paulo Cunha) Deus saberá se são ou não bons homens.
Ao sá que fique contente se passar das solas dos pés do Senhor Professor Ruy de Albuquerque: na vida e na morte.

Interpelador disse...

Pior que um idólatra, só um idólatra iliterato.

É triste que quem tenha sabido ler as obras dos Professores Albuqueque, não consiga ler e interpretar os comentários inóquos de um "blogger".

Quiçá porque, ao contrário das lições de História do Direito, uma opinião sobre as mesmas seja um trabalho criativo, e não um mero relato. "mero" como figura de expressão, não como desmérito.

Opinião de quem partilha a do "Pedro Sá" e - parece - se torna um "detractor" do Profº Ruy de Albuquerque.

Pedro Rodrigues disse...

Caro interpelador,
Não vejo nas minhas palavras ou do comentador seguinte qualquer ofensa que justifique o comentário.
O contraditório é a arte nobre da ciência jurídica, tendo ficado célebres diferenças de opiniões entre grandes mestres...
Já agora, se alguém ficou ofendido com a expressão "quem não tem cão, caça com gato!" gostaria de esclarecer que se refere FDUNL: quando o Prof. Freitas do Amaral arrastou consigo vários docentes da FDL para formar uma escola à sua imagem e semelhança, não conseguiu nenhum de ciências histórico-juridicas da FDL, nem de nenhuma outra escola tendo de se socorrer do Dr. Hespanha, que reafirmo é um historiador...
Quanto ao comentário do pprcse
, eu que trabalhei de perto com o professor ficaria feliz se um dia passasse das solas dos pés do Senhor Professor Ruy de Albuquerque: na vida e na morte.
De qualquer forma não é meu desejo polemizar mais sobre o assunto, mas agradecer o post dedicado à memória daquele que é juntamente com o Prof Martim, um dos ultimos grandes senhores da FDL!

Pedro Rodrigues

Interpelador disse...

Caro Pedro Rodrigues

Fique ciente - e descansado - que o m/ comentário era dedicado exclusivamente ao interlocutor que me antecedeu.

O sarcasmo na m/ última frase demonstra isso mesmo.

Interpelador disse...

Para aprofundar o esclarecimento, junto citações, algumas das quais verdadeiros insultos:

"Há outras cujos únicos feitos são denegrir quem se distingue."

"Por isso se compreende que, ainda antes de enterrado, um qualquer medíocre venha para aqui dizer mal do nosso Professor."

"Quanto a Hespanha e Paulo Ferreira da Cunha (que queria ser Paulo Cunha)..."

"Ao sá que fique contente se passar das solas dos pés do Senhor Professor Ruy de Albuquerque: na vida e na morte."

Pedro Rodrigues disse...

Longe de mim meter-me nas vossas guerras privadas...
Não conheço nenhum dos intervenientes, mas lamento que o desaparecimento de alguém que para mim tanto significou e significa e que tanto prezo, alguém de tive a honra e o privilégio (no sentido moderno mas mais ainda no sentido original do termo)de considerar meu amigo, sirva de arma de arremesso para troca de insultos...
Não é forma de honrar a memória do Professor, que era um Senhor...
Deixo uma pequena história:
Em 1994, os alunos do secundário invadiram as salas de aula onde se realizavam as provas específicas e brutalizaram a Dra. Teresa Morais, minha antiga assistente de HDP em 91, que os tentou impedir de perturbar o exame dos colegas, resultando na sua hospitalização.
Tendo sido aluno da Dra. Teresa Morais, e enfrentando ela uma série de problemas pessoais, decidi com uma colega entregar-lhe um ramo de flores para a animar.
Soube depois que o Professor Ruy de Albuquerque, que realizava provas orais em conjunto com a Dra e que estava desanimado com a prestação dos alunos, que não sabiam o suficiente para passar, ficou tão comovido, que já tendo decidido a nota a atribuir, voltou atrás e dizendo à Dra. que depois de tal gesto não tinha coragem de reprovar ninguém naquele dia!
Foi a primeira vez, aluno do 4º ano, que tive contacto com o Professor, uma pessoa com uma nobreza de carácter como pouco se encontra...
Não posso pois achar a ultima frase um insulto...
Faço votos para que deixem de usar esta ocasião tão triste para se atacarem... A FDL está mais pobre!
Saudações académicas

Pedro Rodrigues

Pedro Rodrigues disse...

Longe de mim meter-me nas vossas guerras privadas...
Não conheço nenhum dos intervenientes, mas lamento que o desaparecimento de alguém que para mim tanto significou e significa e que tanto prezo, alguém de tive a honra e o privilégio (no sentido moderno mas mais ainda no sentido original do termo)de considerar meu amigo, sirva de arma de arremesso para troca de insultos...
Não é forma de honrar a memória do Professor, que era um Senhor...
Deixo uma pequena história:
Em 1994, os alunos do secundário invadiram as salas de aula onde se realizavam as provas específicas e brutalizaram a Dra. Teresa Morais, minha antiga assistente de HDP em 91, que os tentou impedir de perturbar o exame dos colegas, resultando na sua hospitalização.
Tendo sido aluno da Dra. Teresa Morais, e enfrentando ela uma série de problemas pessoais, decidi com uma colega entregar-lhe um ramo de flores para a animar.
Soube depois que o Professor Ruy de Albuquerque, que realizava provas orais em conjunto com a Dra e que estava desanimado com a prestação dos alunos, que não sabiam o suficiente para passar, ficou tão comovido, que já tendo decidido a nota a atribuir, voltou atrás e dizendo à Dra. que depois de tal gesto não tinha coragem de reprovar ninguém naquele dia!
Foi a primeira vez, aluno do 4º ano, que tive contacto com o Professor, uma pessoa com uma nobreza de carácter como pouco se encontra...
Não posso pois achar a ultima frase um insulto...
Faço votos para que deixem de usar esta ocasião tão triste para se atacarem... A FDL está mais pobre!
Saudações académicas

Pedro Rodrigues

DJ disse...

É de lamentar, realmente, que muitos aproveitem o falecimento de um grande homem, de uma grande Professor da Faculdade de Direito de Lisboa, para exteriorizar a sua ira e o seu mau carácter sobre terceiros.
Por respeito ao Professor, deveriam cingir-se à homenagem feita e deixar as guerras e ódios pessoais para resolver noutro lugar.

Interpelador disse...

Caro Pedro Rodrigues

Aqui não há guerras privadas, apenas aparência das mesmas. O "pprc" não foi correcto com o "Pedro Sá"...aliás não foi correcto para com alguém cujo texto - e diálogo contigo - nem se deu ao trabalho de ler.

É que por muito que a minha consideração pelo Profº Ruy de Albuquerque tenha descido, ao descobrir que um assalto a uma assistente vale mais que efectivos conhecimentos da matéria - que, pelo menos no m/ tempo, ainda retia muito finalista, sei de facto que o Profº nunca se dirigiria naqueles termos a quem considerasse a sua obra como História do Direito Medieval.

Apenas e só.

Pedro Sá disse...

Abstraindo-me do que foi dito sobre a minha pessoa num certo comentário...

1. O que é um facto é que o Manual se resume, ou quase, ao Direito Medieval Português. Quase que me arrisco a dizer que transformar o conteúdo da cadeira naquilo que é hoje a História do Pensamento Jurídico (ver p.ex. o 1º volume de Filosofia do Direito de Cabral de Moncada...já agora, eu interessado nestas coisas quem diria há uns anos hihi) seria o mais indicado.

2. Qualquer Manual é uma obra sempre inacabada.

3. Sejamos realistas: essa concepção de estudo que defendes foi, é e será a dos mais aplicados, e não a da grande maioria, que se ficará pelo manual adoptado.

4. E como sabes cerca de 90% pelo menos de estudantes por ano odeiam História do Direito de morte...onde está a motivação para irem procurar mais seja o que for ?

5. O manual do Prof. Jorge Miranda é decididamente exemplar. Isso, sim, é um MANUAL. Só lhe falta algo mais daquilo que já faz: deveria ter AINDA mais atenção ao confronto de posições doutrinais.

6. Quanto ao gato, já ouvi alguém dizer que "quem diz que não tem cão caça com gato nunca teve certamente um gato"...

7. Quanto à Nova, a minha opinião certamente não é melhor que a tua...

estudante disse...

Não me interessa nada o que dois participantes têm vindo para aqui vindo escrever. Para mim o Professor Ruy de Albuquerque foi o mais dedicado, o melhor e o maior Professor que tive e conheci. Nada nem ninguém poderá alterar este meu sentimento e convicção. Nem uma só palavra do que certas pessoas aqui afirmam ou pretendem pode atingir o nome grande do Mestre.