quinta-feira, julho 06, 2006

O Passe Social

Numa altura em que os passes sociais andam a ser discutidos em praça pública, gostaria de abordar aqui este tema.
O aumento de que somos alvo nos transportes públicos (e aqui vou incluir os taxis), é incrível. Ano após ano, os preços disparam, ainda não percebi bem a que percentagem, mas se a inflacção tem um valor que anda pelos 5 ou 6%, e o ordenado tem uma subida de 2%, como é possível termos aumentos nos transportes de cerca de 10%? Vou dar um exemplo simples. A Fertagus, que pratica uma das golpadas mais usurárias de todos os tempos (e acho que tenho motivos para classificar como usurário o que esta empresa faz), tinha o preço do passe que eu costumo utilizar, fixado em 30,00€ sensivelmente, há 3 anos atrás. Como é que este ano, com o aumento, o preço já vai em 45,00€? De ano para ano, os aumentos são incríveis, e ainda alguém me vai explicar como é que num ano, o mesmo passe aumentou 3x! A Fertagus é uma empresa privada, que exerce um serviço público, no transporte de passageiros. Se é de interesse público, como é possível que em caso de falência ou deficit nas contas, o Estado seja obrigado a responsabilizar-se, mas em caso de lucro, o Estado não tira proveito nenhum disso? Sobretudo quando esta empresa factura milhões, teve participações estatais e comunitárias na criação das infraestruturas para poder estar no mercado, os preços disparam cada vez mais, e os horários entre os comboios aumentam cada vez mais? E o Estado lucra 0 com isso, e não faz nada quanto ao aumento. Pagar 45 por algo que custava 30 é uma diferença significativa, e o Estado além de não lucrar com isso, ainda responde pela empresa, e os utentes têm um péssimo serviço. Antigamente, em hora de ponta, os comboios passavam com intervalos alternados de 7 e 8 minutos e nas horas normais, passavam de 15 em 15. Agora, os comboios passam de 10 em 10 em hora de ponta, e de 20 em 20 no horário normal. O período de fim-de-semana também ficou prejudicado. O mesmo acontece com a CP. Aumentam os preços e a qualidade piora. Os taxis são outros. Pagamos agora uma bandeirada de 2,50€, quando ainda há pouco tempo a mesma era de 1,95. Reparem que em escudos tudo fica mais simples. De 390$00, passámos para 500$00. São os milagres do Euro! 500$00 é muito dinheiro para se pagar por um taxi à cabeça. Depois, aumenta 0,15€ por cada 20 metros que o veículo ande. São 30$00. Ou seja, por fazer um percurso de 200 metros que a pé se faz em 2 minutos, pagamos logo 300$00. O intervalo de metros diminui para aumentar o custo do serviço, a bandeirada é mais cara, os "impulsos" aumentaram quase 10 escudos, e os veículos são os mesmos (cada vez mais velhos), os taxistas são os mesmos, e a qualidade de serviço continua igual. Pergunto-me: a pagar estes montantes em transportes que ainda diminuem a quantidade e qualidade de serviço, não deveríamos ter direito a qualquer coisa que justificasse esse acréscimo? Não me vou pronunciar sobre a Carris, porque não a utilizo, logo não tenho conhecimento de causa. Mas, o Metro por acaso é um bom exemplo de qualidade/custo: é barato, cómodo, rápido e só não dá milhões porque não calha. Mantém a qualidade do serviço e as estações são, constantemente, alvo de melhoramentos. Acho que os "picas" deviam andar mais no metro a fiscalizar quem tem passe, de quem não tem porque, na minha opinião, o Metro ainda justifica o preço do bilhete e a ML não merece perder tanto dinheiro como perde, com pessoas que querem o fácil e gratuito à força.
Agora, quanto aos transportes de passageiros, acho que o Governo tem que por um travão nisto, porque os preços disparam cada vez mais. A Fertagus então, é um exemplo de "muito pouco serviço público". Clientes insatisfeitos, atrasos nos comboios, aumento dos preços, fiscais antipáticos e mal educados, cada vez menos comboios, entre outras coisas. Ideal, ideal, era travar estes aumentos durante alguns anos, ou então tentarem por como aumento uma % inferior à inflacção como fazem... com os salários! Sim, aquilo que nos permite no final de cada mês pagar um passe social ou poder comprar um bilhete ou uma viagem de taxi. Sim, esses serviços que continuam com qualidade duvidosa, que cada vez piora. Diria mais: será que têm um mínimo de qualidade? Onde está a qualidade em termos comboios que param e que se atrasam ou um taxista que vai o caminho todo a "coçá-los", a dizer asneiras, a conduzir pessimamente, e que depois nos dá o troco com as unhas todas pretas, sem referir que pelo meio ainda quase atropela uma velhinha, e anda ali às voltas para fazer dinheiro. Enfim... pensava eu que existiam serviços públicos. Quanto mais privado é, pior. E ainda há quem fale mal do que é do Estado!

1 comentário:

Poeta Irreverente disse...

Fertagus, uma herança do amigo Guterres, o Bom.