segunda-feira, março 20, 2006

Crónica de uma morte anunciada

Quero desde já dar os meus Parabéns à Tertúlia Libertas pela magnífica exposição que desde 4ª feira está presente no atrio da Faculdade de Direito de Lisboa. Numa altura em que as simpatias pela TL andavam na rua da amargura, esta pode ser um grito do Ipiranga, poderá ser o "renascimento" de uma Tertúlia declarada morta antes do tempo.
A exposição tem como principal atractivo pôr os alunos e todo o corpo docente a falar de Bolonha. É certo que a AAFDL (e mesmo a FNED) tem vindo ao longo do tempo a promover conferências e debates sobre Bolonha, com o objectivo de divulgar e elucidar a Academia, no entanto sem os resultados pretendidos.
Esta exposição, embora não seja no modus operandi que a AAFDL utiliza, parece estar a surtir efeitos. Será de ponderar uma modificação de actuação por parte da AAFDL? Não creio que seja necessário... Para mim, acho que cada instituição da minha Faculdade tem a sua área e o seu método de actuação, e eu como dirigente associativo defendo a ideia de "Agir em vez de Reagir" (André Pardal in ENDA ISCTE). Por isso foi criada uma comissão para Bolonha composta pelos alunos mais capacitados da faculdade, com base em critérios que a AAFDL reserva só para si. A comissão não é composta por alunos do Pedagógico e/ou do Directivo, é também composta por alunos que foram eleitos para esses órgãos, não sendo o cargo que ocupam um factor de ponderação. Se considerasse que havia pessoas mais capacitadas e disponíveis fora dos órgãos, essas pessoas estaríam com certeza presentes na comissão (esta opinião não vincula a AAFDL, vincula-me a mim próprio enquanto membro da mesma).
Tenho uma opinião critica sobre a Faculdade, sobre a Tertúlia e sobre a AAFDL, no entanto quando existe algo de bom, gosto de ser o primeiro a dar os parabéns, e não gosto de manter os canhões apontados mesmo quando não tenho razão, só porque tenho uma posição crítica.

5 comentários:

Gonçalo Pereira disse...

Fernando, concordo com algumas das ideias que aqui defendes... com outras não concordo de todo. Querendo ser imparcial - dentro da parcialidade que por ventura não conseguirei disfarçar na defesa da minha camisola - vou tentar expor a minha maneira de ver as coisas.

Quando na semana passada me deparei com a exposição acerca do Processo de Bolonha, da responsabilidade da Tertúlia Libertas, confesso que senti opiniões altamente dicotómicas. Dicotómicas pelas mais variadas razões. Antes de mais porque, como disseste, há já muito tempo que não se percebia uma linha de acção e não se vislumbrava um rumo claro na actividade da Tertúlia. Na altura lembro-me de ter pensado: "querem ver que agora lhes deu para fazer coisas com pés e cabeça?". Estava claramente confuso. Porque das duas uma... ou os papeis se tinham invertido - e isso era particularmente grave - ou então estávamos a assistir ao inicio de uma nova fase da Tertúlia, mais responsável, mais coerente... o que sinceramente também me preocupava. Algo não estava definitivamente bem no reino da FDL.
Ainda assim, dei-me ao trabalho de pensar no assunto durante mais algum tempo. Tentei acima de tudo perceber quais eram os papeis de cada um.
Começando pela AAFDL, devo desde já ter a sensibilidade de não fazer comentários valorativos acerca do trabalho de divulgação e informação de uma Associação que represento (enquanto presidente da Federação Nacional de Estudantes de Direito-FNED). Posso apenas dizer que, bem estaria o Associativismo Estudantil Nacional se em todas as Faculdades houvesse a massa crítica que existe na FDL.

Já no que diz respeito à FNED, vejo-me obrigado a fazer uma correcção ao que o Fernando diz (numa lógica de amizade pelo Fernando e não, tentando justificar aqui o trabalho que fazemos - há sítios próprios para isso).
O propósito da FNED não é, nem pode ser, o mesmo que o de uma Associação de Estudantes. O seu objecto é diferente. Enquanto que uma Associação de Estudantes tem como objectivo primário a defesa directa dos estudantes da sua Faculdade, já a FNED não se pode ocupar do mesmo. Há um espaço para cada uma das instituições. Não cumpre à FNED, fazer sessões de esclarecimento sobre o Processo de Bolonha nem muito menos organizar conferências acerca dos vários planos de estudos das várias Faculdades. Esse é um trabalho que compete às Associações - sem prejuízo de, ocasionalmente também a FNED organizar actividades das próprias Faculdades. Uma não existe assim para esvaziar a outra.

Ou seja, é importante que fique claro qual é o papel que ocupamos.
Ainda assim, tem sido para a actual Direcção uma prioridade tudo que diz respeito ao Processo de Bolonha – na abordagem que nos compete.
De realçar a Reunião de dia 10 de Fevereiro em que juntámos à mesma mesa os Presidentes dos Conselhos Científicos das 5 Faculdades Públicas e na qual conseguimos chegar a um entendimento acerca de 6 pontos no que diz respeito à aplicação do Processo de Bolonha ao Curso de Direito.
Os resultados dessa reunião fizeram-se sentir, logo no mesmo dia, na reunião que esses Professores tiveram com o Secretário de Estado Adjunto da Justiça e com o Ministro da Ciência e Ensino Superior, ficando desde logo arrumada, por exemplo, a questão dos 4 anos de curso - ideia que em nada agradava ao MCTES.
Para além disso, e sem querer ser exaustivo, realço a Conferencia que vamos fazer em S. Pedro do Sul, subordinada ao tema "Os cursos de Direito em Portugal... um contributo para o estado da Justiça?" (o painel pode ser consultado em www.fned.org).

Fica portanto por analisar o papel da Tertúlia.
Honestamente, congratulo a TL pela ideia que teve. Nunca são demais os contributos para o esclarecimento dos alunos. Espero no entanto que não se perca a postura áspera e levemente cínica que sempre a caracterizou. Não gostava de ver nascer uma Tertúlia institucional. Ao contrário de muito boa gente, acho que precisamos – todos – de alguém que se dê ao trabalho de ir criticando os vícios e os podres... Quanto à propalada falta de controlo da TL, sinceramente não me tira o sono... Os que se sintam injustiçados, não sintam. Dêem ás coisas o valor que elas têm.
Gonçalo Pereira

O_PARVO disse...

Obrigado amigo Gonçalo pela opinião divulgada supra. No entanto limitei-me a dizer que a FNED já organizou eventos subordinados ao tema Bolonha. Sem mais. Um abraço

DJ disse...

Concordo com o o_parvo. Realmente, a ideia da Tertulia é boa e criativa. Mais uma vez demonstraram originalidade e efeito surpresa. E sensibilizou todos para o Tema "Bolonha". Pena, é que não passe disso mesmo: de uma forma de por toda a gente a pensar, e não por ninguém a agir. E, pena ainda é que quando apontam o dedo a todos os que não fazem nada, se esqueçam que têm 4 apontados a eles, e se esqueçam que deviam começar na sua própria "casa", quando têm um representante dos alunos Tertuliano que não faz mais do que ninguém, e nem tão pouco se lhe conhece capacidade.
De lamentar ainda, que julguem que com esta exposição tenham feito a manifestação do século e agora se pavoneiem como se tivessem feito alguma coisa demais. Exposições e trabalhos manuais qualquer um faz. Os actos, como diz o amigo Fernando... ficam para que os pratica. E a Tertulia, não os praticou! Uma exposição com uma sanita e alguns contraplacados não é nenhum acto digno de "dinamizar" de vez a convenção de Bolonha!

O_PARVO disse...

Com o devido respeito DJ, esse dito tertuliano é uma das pessoas mais competentes da faculdade, e foi a minha primeira escolha para a comissão. Ainda bem que acabou por ser escolhido para a mesma.

DJ disse...

Espero que não te sintas com o meu comentário mas... tal como o Pedro Silveira, que ainda há semanas disseste que não lhe conhecias obras, o mesmo critério se aplica a esse tertuliano.