terça-feira, dezembro 27, 2005

Frase do Ano de 2005

"Sou fascista, mas não sou racista!" - Di Canio

Infelizmente, há quem teime em confundir estes dois conceitos! Faço minhas as palavras do Di Canio. Realmente, como te entendo... No meu caso, sou a favor do regime ditatorial e recuso ser confundido com racistas! Uma coisa é acreditar que existem pessoas com características específicas superiores às outras, que é o racismo! Outra é o governo de um só, com uma ideologia imposta, e com liberdades limitadas para todos. Porém, quem tem falta de argumentos e cabeça fraca, insiste em confundir um ditador, ou um fascista com um racista! E, nem sempre isso acontece. Pelo contrário...

19 comentários:

tuca disse...

Meu caro

Elucida-me: o governo de um só, com uma ideologia imposta, e com liberdades limitadas para todos não são características típicas da ditadura comunista?!

Não serão estas características que enumeraste comuns a uma série de ditaduras existentes por esse mundo fora?!

Não existirão alguns traços mais que caracterizem o fascismo e as ditaduras de extrema direita que dela derivam, como por exemplo... sei lá... talvez o facto de considerarem, não raras vezes, o seu povo/nação/raça superior à dos outros?!

Não será isso, por outras palavras, ser-se xenofobo/chauvinista/racista?!

Pequenas dúvidas que me assaltam o espírito...

Um grande bem haja
Tuca

DJ disse...

Caro Tuca,

digamos que o fascismo em si, é a ideologia e a ditadura a forma prática correspondente de exercer essa mesma ideologia. Certamente que existe ditadura comunista, tal como existe ditadura de Direita. O que as distingue será, tão-somente, as ideologias que estarão por trás.
Na ditadura, em si, aquilo a que chamo governo de um só, não é necessário que se centre numa pessoa, mas num grupo restricto delas, tendo sempre um líder dominante. Essa ditadura é composta por uma ideologia exclusiva (não havendo lugar a mais nenhuma), não se designa nem elegem os governantes de forma livre e nem sequer se controla a forma como os mesmos exercem o seu poder. Creio que depois, a grande distinção encontra-se em saber se nos encontramos perante um sistema totalitário ou autoritário, em que, no autoritário se dá uma certa margem de manobra para que as pessoas ainda tenham alguns direitos e os possam exercer livremente. No sistema totalitário comunista, não: é o Poder que diz o que é que é permitido fazer e como deve ser feito! Sou favorável ao regime autoritário.
Aquilo a que assistimos por esse mundo fora, é a sistemas totalitários, porém alguns encontram-se tão à esquerda, tão à esquerda, que quase roçam a extrema direita.
Sou desfavorável à existência da extrema direita, porque é com esta que se dá a fusão entre ditadura/fascismo/nazismo! No nazismo, sim, existe essa sobreelevação de uma população ou raça face às demais, encontrando aí presente o racismo. Num sistema ditatorial de Direita simples, não há lugar a racismo. Há, sim, lugar a políticas de imigração com cabeça, tronco e membros, ao contrário do que acontece no regime fascista/nazi. Pode haver fascismo sem racismo. Basta que o mesmo se centre na ideia totalitária de submeter toda a gente à vontade do Estado (custe o que custar), que se corte definitivamente com a democracia liberal, e que haja um líder que seja o centro, fazendo dele um ídolo, e o Estado é tudo para toda a gente. Há a defesa da nacionalidade, sem necessariamente se desprovir das restantes. Podendo, caso necessário, recorrer-se a terceiros para atingir o fim do Estado. O que interessa é a forma como o Estado está delineado e como traça os seus objectivos. A partir daí tudo vale: quer a integração de estrangeiros, quer a sua expulsão, sem inferiorizar a mesma raça ou nacionalidade. No nazismo, é que, apesar de também estarmos perante um regime totalitário, já se começa a intrometer no aspecto racial. Há uma exaltação de uma raça específica, e tudo o que não se integre na mesma, não presta!
Como vês, pode haver ditadura sem fascismo, e uma ditadura de Direita, pode haver fascismo sem racismo e pode haver racismo com ideologias nazis!
Já agora, outro esclarecimento: racismo é discriminar uma ou mais raças, em favor de outra(s); xenofobia é discriminar nacionalidades em favor de outra(s).

Sou a favor do regime ditatorial autoritário, mas com um misto de fascismo, no que toca à ascenção de um líder como comandante supremo! É o único traço do fascismo que me agrada. Tirando isso, só ditadura e de Direita sff!

Filipe de Arede Nunes disse...

Oh meu deus...

tuca disse...

Oh meu deus...

É o comentário que faria se não fosse ateu!

Aquele abraço agamenon

Tuca

Filipe de Arede Nunes disse...

Eu também sou ateu... mas digo-o na mesma... oh meu deus!

Ega disse...

Fascismo sem xenofobia? Pura ingenuidade. Qualquer forma de governo ditatorial,seja de esquerda ou de direita, compreende um caracter no qual os governantes exploram os governados. Ora a função do Estado,maxime dos seus governantes, não é o Estado explorar os seus cidadãos mas será apenas de coordenar e defender as liberdades dos indivíduos, e as orientações que devem guiar os que governam procederão da vontade da maioria, empiricamente consultada mediante o sufrágio.
Dj, reconheço alguns fundamentos que utilizas, mas discordo frontalmente das tuas conclusões. E até por uma razão de ordem histórico factual penso que deverias rever a tua posição. Mas respeito a tua posição e o direito de a dizeres. Coisa que não aconteceria caso as tuas soluções fossem executadas.
Aconselho vivamente a leitura atenta de John Locke, o pai do liberalismo democrático.

DJ disse...

Sim, sou a favor de uma ditadura autoritária, desde que o líder em causa, seja mesmo um génio, um fora de série, que saiba encarrilar este país rumo ao sucesso! Não entendo o choque... as pessoas precisam de disciplina, porque normalmente tendem a não saber usar a pérola que lhes é dada, que se chama: liberdade! Por vezes é necessário um moderador para por um travão nesses mesmos personagens!
Acho que grave é defender o racismo e o nazismo!

giroscópio disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
LM disse...

Facho, archote;luzeiro;lanterna;tudo o que serve para esclarecer;fascista.(do latim fax,facis, «tocha»)

Etimologicamente, poder-se-iam encontrar definições tanto positivas, como negativas do fascismo.

Devido às experiências passadas de adulteração do conceito, tendemos a encarar o ''fascismo'' como algo de negativo, de pernicioso. Este estigma enraizado ainda na nossa geração, teima em afastar-nos da discussão OBJECTIVA.
Concordo em absoluto com o DJ (espantoso!).
É preciso não confundir um conceito naturalmente negativo e condenável como o racismo, com outro infinitamente diferente como o ''fascismo'', pese embora se teime em interligá-los e associá-los.
Quando o estigma morrer dentro de nós e a História for encarada, ensinada e transmitida objectivamente e não subjectivamente, talvez compreendamos e retiremos as referências positivas de conceitos, aparentemente, negativos.
Acredito numa ditadura, num regime naturalmente imposto e aceite, que una o povo num facho, num feixo, num lugar comum. Acredito numa ditadura da competência.
Chamar-me-ais utópico, por certo.
Sou-o, de facto!

Já agora, os povos e nações fundadores da democracia moderna são os mais xenófobos e racistas que alguma vez existiram. A França e os EUA, respectivamente.
Só respeito uma democracia contemporânea e a sua coerência e eficiência - a Britânica!

giroscópio disse...

Num tom mais sério gostaria de tecer algumas considerações mais sérias ao fascismo.

A defesa intransigente de um modo de vida afecta naturalmente a subsistência de uma corrente contrária. Tal não significa, necessariamente, o seu desaparecimento. Tal não o significa de todo.

Condição de subsistência do fascismo, nos termos e postulados que propugna, é a eliminação de posições contrárias ao Estado visto na perspectiva nacionalista (e não patriótica). Nisto decerto concordaremos.

Na premissa seguinte, e passados já os momentos dedicados às definições, já não. O que propugnam, em termos genéricos, é a legitimação da eliminação da oposição ao Estado, concretizada na eliminação das vozes contrárias às políticas adoptadas. Com isto, lamento, voltamos à Inquisição. Voltamos à restrição de liberdades individuais e à banalização do Homem.Voltamos, seja qual for o regime que o dite, à ditadura. Porquanto o centro da democracia é precisamente a liberdade (castrada em situações esporádicas, típicas - surpreendam-se, dos regimes ditatoriais)o fasciscmo não é. E se a leitura do livro Negro do Comunismo ilustra o terror psicológico que era viver na Rússia Comunista, vários exemplos há de leitura aplicada às ditaduras ditas fascistas e de direita.

Negar isto é negar o homem ocidental e conquistas evolucionais e de mentalidade que vão desde a Declaração Universal dos Direitos do Homem a este blog. Desenganem-se. Uma palavra mal medida e acabava. Ao menos, numa democracia, estamos em condições de trocar impressões sobre isto, tentando vocês tentar mudar o sistema. E outros alertando, sem carácter vinculativo, que já tantos morreram por isso...

Ser fascista ou comunista (porque ambos têm como condição existencial "pelo menos um periodo" uma ditadura) é como ser fumador num elevador fechado, com mais 15 pessoas lá dentro.Mussulini pegava no cigarro.

E por favor não queiram confundir soluções, pensando um regime diferente para o que é, afinal, uma crise (mutável em democracia, com instrumentos dados ao cidadão) de autoridade do Estado...

Filipe de Arede Nunes disse...

Começo a ficar preocupado com as pessoas do país onde vivo. Falam da história para dizerem que novas contas serão feitas, mais exactas, mais precisas, falam do passado sem nunca o ter vivido, falam como se os conceitos teoricos fossem muito mais do que isso.
Não vou aqui estar com concepções meta-filosoficas sobre o que é o fascismo ou o comunismo, as diferenças entre autoritarismo ou totalitarismo. Espero sim, que ganhem vergonha e que leiam o artigo 13.º da CRP, pode ser que assim compreendam o que singnifica igualdade.
Estou envergonhado por algumas coisas que tenho aqui lido.

LM disse...

De novo, parecem-me limitadas certas mentes aqui reflectidas em palavras... Vergonha?
Vergonha por discutirmos conceitos? Por exercermos exactamente os direitos que nos assistem?
Vergonha é reconhecer que a liberdade de expressão só se aplica para defender posições consensuais e politicamente correctas.
Relativamente ao entendimento do regime, o que aqui defendo não é um regresso ao exercício de meios coercivos extremos e opressivos por forma a impor uma legitimidade política inexistente. Isso é uma ditadura pura e simples.
Defendo uma ditadura, repito, da competência, da eficácia e da eficiência, imposta per si, de tal modo auto reveladora, legítima e coerente que seja aceite, acatada e admirada.
Mas nunca retrocedendo nas conquistas éticas e morais do século XX, antes apoiando-se nelas e realizando o seu verdadeiro objectivo.
Daí dizer que é utopia. Pois claro!
Nunca, por nunca, aqui leram opinião minha contrária ao princípio da igualdade, e não lerão...
Mas é com base nesse príncipio que defendo exactamente a minha posição, tratar iguais de igual maneira e diferentes de diferente maneira.
Ora, fascismo e racismo não são iguais, logo não se podem tratar da mesma maneira.
Era afinal de contas esse o tema da discussão.
Envergonhar-se da discussão pública de temas delicados é contrariar as próprias conquistas do Homem, é reduzir-se ao espirito mesquinho, tacanho e inquisitivo de quem julga que algo desaparece se não se falar nisso.
Faz lembrar a minha avó a falar da homossexualidade...

LM disse...

Por outro lado é muito positivo que nos preocupemos com as pessoas do país em que vivemos.
É que a ignorância e a estupidez vão grassando, como noutros estuporados tempos!

DJ disse...

A verdadeira ditadura... a verdadeira anti-democracia, ocorre quando vemos a negação constitucional da existência da mesma, quando vemos a limitação do direito de associativismo, e quando vemos que os defensores da ditadura conseguem viver e trocar impressões com os defensores da democracia, mas o contrário já não existe!
Caro Agamenon, quanto ao artigo 13º da Constituição: não podemos tratar tudo por igual, quando todos nós somos diferentes. Não podemos tratar desbocados que usam e abusam da democracia, da mesma forma como tratamos os iluminados e génios. Temos que tratar por igual, o que é igual e diferente o que é diferente! Isto é, até, um princípio básico do Direito.
Caro giroscópio, apesar da timidez em te apresentares, tendo apenas um nome criado bastante recentemente (nem sequer questiono se foi só para ganhar um pouco de coragem para falar aqui no blog. Isso não me surpreenderia... nós que defendemos a ditadura "temo-los" no sítio e falamos seja onde for e perante quem quer que seja, mas nem todos podem ser assim)... apesar disso tudo, deixa-me dizer-te que se o blog do Bar Velho existe, por causa da democracia, deixa-me que te diga, que este blog existiria até em plena ditadura. Poderia não ter todos os posts... mas bastava ter aqui uma pessoa a defender o regime, para ser até apoiado e financiado pelo Estado. O problema seriam os restantes colegas de blog, que se encontrariam limitados... Quanto à questão de se fumar num elevador fechado com 15 pessoas: temos vários Mussolinis nesta vida. Bastantes mesmo, que apesar de conhecerem o artigo 13º da CRP de cor e salteado, e que apesar de falarem 1000x nas condições dos seres humanos ao ponto de quase lhes sair uma lágrima do olho de emoção, decidem enclausurar-se num certo Bar Velho de uma faculdade, e todos agarrarem, em plena hora de ponta (leia-se intervalos) em cigarros e encher aquilo de fumo, ignorando, por completo, que aquilo é um espaço fechado, e fazendo-me a mim e a outros não fumadores, sair daquele espaço completamente cercados de tabaco e com um cheiro que parece que somos fumadores compulsivos. O mesmo ocorre em espaços como as salas de aula e os corredores. Se tivessem um mínimo de dignidade... pensariam duas vezes nas pessoas. Na AAFDL isso já está a alterar-se: as pessoas vêm fumar para a janela, por respeito aos não fumadores. Mas isto foi só para te falar no exemplo do Mussolini, para te dizer que, no fundo, no fundo, só a FDL está recheada deles! Isso é um sinal prático, existem muitos outros, que mostram que aqueles que içam a bandeira da democracia, se pudesse... fariam daquilo a democracia do Manel, a democracia da Maria! Tal como havia a democracia do Mussolini! Nem eu mesmo sei se tu não serás um dos que se apresenta no bar velho de cigarro na mão e contribui para aquela nuvem horrorosa que me intoxica a mim e a outros anti-fumadores, sem nunca termos tocado num cigarro. É assim, a democracia: pensamos em nós, porque nos é dada liberdade; os outros? Caguei! Com democracia desta...

LM disse...

E pronto...
Uma bela discusão ideológica reduz-se à merda dos cigarros!
Aponto novamente o exemplo britânico.

Filipe de Arede Nunes disse...

E discuta-se!
"Acredito numa ditadura, num regime naturalmente imposto e aceite, que una o povo num facho, num feixo, num lugar comum. " (lm)
Por momentos pensei que estivessemos a falar de conceitos diferentes, ou mesmo que não estivessemos sequer a falar do mesmo.
Concordo que fascismo e racismo são conceitos diferentes, o que discordo e que se tente fazer a lavagem do passado, que te tente diminuir a história recente do mundo e das civilizações.
Aceito, porque sou democrata, que todos nós possamos até perfilhar ideologias e ideias diferentes. Aceito que haja quem se diga a favor dos regimes autoritários ou totalitários, agora - e é certo que não se coloca aqui a questão, mas e se colocasse? - não aceito é que alguns queiram impor regimes ditatoriais.
O artigo 13.º da CRP é muito mais do que as analises minimalistas que se querem fazer, mas poderemos um dia discutir isso.
Volto a pedir que tenham vergonha, que procurem conhecer o passado e que o saibam analisar.
Para os mais desatentos e se quiserem uma leitura leve para as férias leiam o 1984.
Que se discuta então.

LM disse...

Fá-lo-ei, por certo, até porque um bom livro é sempre bom de ler e o saber não ocupa lugar...

Ega disse...

Li 1984 há poucotempo. Gostei.
Para uma pequena recensão, pouco credível mas sincera,à obra 1984 conferir em http://ojuizodoega.blogspot.com/2005/07/1984_29.html.
É uma obra que vale a pena.Claro que, tratando-se de ficção tem as suas limitações.

O_PARVO disse...

Não consigo admitir que um aluno do 5º ano do curso de direito confunda duas realidades distintas como o autoritarismo e o fascismo. As duas não estão interligadas!! Apenas porque na maior parte das vezes que foi defendido o fascismo ter sido através de ditadura isso não é a mesma coisa. O fascismo e o comunismo existem para lá do regime autoritário, logo a noção do dj de fascismo não podia ser mais errada... e pensar que esta malta está a acabar um curso superior... Um grande abraço!